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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Mais Dim Sum e Outras Especialidades | Hong Kong

Dim sum é um estilo de cozinha chinesa, particularmente Cantonesa, caracterizada por pequenas porções de comida servidas em cestos de bambu próprios para cozinhar ao vapor ou em pequenos pratos.
Usualmente os dim sum são servidos com chá e são um dos pontos alto da gastronomia de Hong Kong.
Por essa razão, em Hong Kong, para além do fabuloso Tim Ho Wan, tivemos outras experiências gastronómicas com dim sum.
Fizemos uma visita ao Dim Tai Fung de Silvercord, em Kowloon, cujo restaurante original surgiu em Taiwan.
De 2010 a 2014, esta dependência do Dim Tai Fung, teve igualmente uma estrela Michelin, passando nos anos seguintes a ser galardoada com o Bib Gourmand, o qual distingue restaurantes com boa comida a preços moderados. Mais uma vez fica provando que, para os inspectores do Guia, o local não é importante, mas antes a essência da comida, já que este restaurante também se localiza num centro comercial.


Apesar de tudo, o espaço deste restaurante é mais composto e elegante, apesar de não ter também toalha de mesa.
Superada a fila inicial, experimentámos a comida no meio da azáfama própria de qualquer restaurante chinês que se preze.
A comida apesar de saborosa não supera a qualidade do Tim Ho Wan.
Próximo do templo Wong Tai Sin, em Kowloon, sem qualquer referência, entrámos num restaurante especializado em dim sum.


Foi uma experiência gastronómica muito genuína e interessante. Frequentado apenas por locais do bairro, desfrutamos de uma extraordinária refeição, acompanhada pela simpatia dos empregados que nos facilitaram a tarefa ao máximo mostrando in loco na cozinha quase todas as possibilidades disponíveis de dim sum.






São de experiências destas que se quer uma viagem que desperte todos os sentidos.
Não só de dim sum se fez a nossa experiência gastronómica em Hong Kong. No Chan Kan Kee, no bairro Sheung Wan, também galardoado com um Bib Gourmand do Guia Michelin, experienciámos a cozinha Chou Chow, designadamente uma massa com vegetais e gambas e um prato de pato, uma das especialidades da casa.
No entanto, o que nos tirou da órbita foi uma inusitada canja de ostras bebés com carne picada.




O simples e o sofisticado conjugados num único prato. A suavidade do caldo aliada à intensidade do paladar das ostras. Uma combinação cheia de carácter e personalidade.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Viagem Pelos Sabores da China

Algures na província chinesa de Guangxi há um miradouro com o nome Música do Paraíso e outro, igualmente com uma designação poética, Mil Camadas do Céu. Destes pontos de vista privilegiados avistamos os terraços de arroz de Longsheng. É dali, daqueles terrenos em socalco, bem como de muitos outros campos de arroz espalhados pela enorme China, que se extrai um dos principais alimentos dos Chineses.


Durante a nossa presença na China, pelas províncias de Guangxi e Yunnan, e também por Hong Kong, em quase todas as refeições, tivemos a companhia desta cultura cerealífera. Assim como de um bule de chá. Estes dois elementos são presenças constantes e reconfortantes, por nos serem familiares.


Verdade, na China mais profunda nem sempre é fácil saber o que nos vai chegar no prato. Até porque a comunicação é um grande desafio.
Não é também mito que na China se comem coisas estranhas para os nossos padrões culturais.



No entanto, apesar de as incursões gastronómicas não serem sempre familiares, para mim é reconfortante ter estes desafios na vida.
Porém há um aspecto que merece contraditório. Inversamente ao que diz a marchinha brasileira de carnaval Lig-Lig-Lig-Lé, mais recentemente popularizada por Adriana Calcanhotto, “Chinês não come somente uma vez por mês”. Não mesmo. Chinês come várias vezes por dia. E muito.



A comida é uma coisa levada muito a sério pelos chineses. Para além de um prazer, uma refeição é um verdadeiro acto social e de partilha. É vê-los em família e, também, em almoços de negócios, sentados à mesa, onde se configuram grandes quantidades de comida prontas a serem compartilhadas entre todos. Foi para facilitar essa partilha que inventaram aquelas grandes mesas redondas com placa central giratória.
A culinária chinesa é uma das maiores do mundo. É muito forte e diversa, ou não fosse a China quase um Continente. Pelo que há ofertas de várias naturezas, sejam estabelecimentos como comida de rua, e com muitas variações regionais.
Destaco particularmente, por gostar do conceito, os restaurantes que apresentam numa vitrina os ingredientes disponíveis para confecção. Legumes, uns mais familiares do que outros, carne, peixe. A nós cabe-nos apenas escolhe-los e aguardarmos que cheguem já confeccionados à mesa.


A este respeito, vai ficar na memória o almoço na cidade velha de Baisha, na envolvente de Lijiang, de onde viemos a pedalar, e onde comemos um maravilhoso peixe devidamente apurado com o  picante típico da culinária do Yunnan.


Neste pitoresco lugar, aos pés da Montanha Nevada do Dragão Jade, é maravilhoso apreciar e sentir a vivência autêntica da cultura da população Naxi, nomeadamente as várias situações de vendas de rua.





Os mercados, fechados ou de rua, são sempre emocionantes. Pela vibração, cor, texturas. Destaque para o de Lijiang, onde explorámos e nos cruzámos com uma infinidade de elementos apetecíveis.








É sempre um prazer podermos experimentar as frutas locais, umas mais conhecidas do que outras. Manga (deliciosa), abacaxi, mangostão (soberbo), líchia, pitaya (entusiasmante), bananas - pequenas e bojudas (poderosas), melancia (algumas delas amarelas por dentro), pepino (exótico), e mais um rol de delícias. Maravilha.








Como é também um deleite cruzarmo-nos e explorarmos novos paladares. Como o bambu recheado com arroz adocicado, os docinhos de pétalas de rosa de Lijiang, as raízes de lótus, a baba (um género de pizza) de Xizhou, o camarão bebé frito do Lago Erhai, o ovo dos cem anos em Guilin.










É igualmente extraordinário constatarmos que nos adaptámos à culinária picante, quando sentimos falta de algo nos momentos em que a culinária apimentada não é tão presente. Ainda que tivéssemos momentos difíceis pelo caminho, pois as especiarias de tempero são intermináveis, e algumas delas com efeitos particulares, como adormecimento da boca... Há um restaurante em Lijiang que não sairá das nossas memórias gustativas e que entrou directamente nos nossos catálogos pessoais de especiarias.




Os pratos mais pedidos ao longo da nossa viagem foram peixe (sobretudo de rio), carne de porco, galinha, beringela, cogumelos e outros legumes.



Também experimentámos os clássicos noodles. Prato tão nutritivo como delicioso, graças ao caldo que o compõe.



Apesar da repetição de ingredientes ao longo da nossa viagem, a confecção foi sempre diferente e, maioritariamente, deliciosa. No fim a mesa acabou sempre assim.



quinta-feira, 15 de maio de 2014

Um Toque Manchu

Os manchus são um grupo étnico originários da Manchúria. Foram a última dinastia, designada Qing, a imperar na China, após terem conquistado, no século XVII, o poder à dinastia Ming. A dinastia Qing governou até 1911, data em que surgiu a República da China.
Um pouco mais de um século depois entrámos num ambiente que nos faz recuar, através do paladar, a esses tempos.
Essa experiência gastronómica é possível no restaurante Nàjia Xiaoguan, de inspiração manchu, que apresenta um menu baseado nas antigas receitas imperiais.
Instalado num belo pátio interior de dois níveis, numa atmosfera informal e movimentada, iniciámos a refeição com um aspic de peixe, apresentado com o formato do mesmo, acompanhado de um molho à base de alho. Um dos maiores desafios foi comer este prato gelatinoso com pauzinhos...mas como estava bem interessante não desistimos.
 
Avançámos para um sensaborão pato cozido com amendoins.
E depois para uns muito mais entusiasmantes cogumelos recheados com carne. De acompanhamento de tudo tivemos um arroz cozido ao vapor.
 Por uns tempos sentimos a atmosfera manchu.

Lost Heaven

O Lost Heaven, nas proximidades da Praça de Tiananmen, está inserido num complexo de bons restaurantes.
Aberto, em Pequim, há poucos anos, mas anteriormente já implantado em Xangai, rapidamente foi considerado um dos melhores restaurantes da capital.
Trata-se de um restaurante de cozinha do Yunnan, uma região montanhosa a sudoeste da China, junto à fronteira com a Birmânia.
Num ambiente majestoso, elegante, sofisticado e muito bem decorado com um toque tribal tivemos oportunidade de nos iniciármos e usufruírmos da comida do Yunnan com um toque moderno-criativo.
De bebida optámos pelos sumos naturais.
Na comida, servida numa loiça muito bonita e diversificada, empreendemo-nos por umas fatias de porco irrepreensivelmente fritas, com a pele crocante e o interior macio, acompanhadas de um molho agri-doce.
Deliciámo-nos ainda com um frango com amendoins, alho, cebola e molho de soja com sementes de sésamo. Tudo acompanhado com arroz branco ao vapor.
Concluímos a refeição com um gelado acompanhado de frutas.

Estava tudo perfeito, mas fiquei com vontade de experimentar outros pratos que desfilaram para as mesas da envolvente.
Talvez numa próxima. Em Xangai ou mesmo num regresso a Pequim.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Japonês na China

Pequim, como todas as grandes capitais mundiais, tem também o lado cosmopolita. Esse fica quase todo em Sanlitun. É nesta área da cidade que podemos encontrar os grandes arranha-céus, muitos deles recentes e de referência mundial, como o edifício da CCTV, a televisão chinesa, da autoria de Rem Koolhas, projectista também da Casa da Música, no Porto.
Foi em Sanlitun que mais nos cruzámos com gente com traços ocidentais, alguns deles com ar de quem agora reside (e, muito provavelmente, trabalha) nesta zona do planeta, com as marcas internacionais e com a cena gastronómica internacional. 
Abrimos uma excepção e fugimos à cozinha chinesa, para enveredarmos pela comida do país rival, o Japão. Escolhemos o entitulado, por alguns guias de referência, melhor restaurante japonês de Pequim, o Hatsume, localizado no complexo comercial Sanlitun Village.
Num ambiente cosmopolita, desfrutamos a nossa refeição ao balcão, únicos lugares vagos neste restaurante muito procurado.
Começámos a refeição com uma sopa miso.
Avançámos para um fabuloso sashimi de salmão.
Continuámos com uns uramakis, muito saborosos, de camarão e atum.
Prosseguimos para um original e delicioso water hotpot de amêijoas num caldo de gengibre e ervas aromáticas, em que tudo se come (amêijoas) e tudo se aproveita (caldo, que se sorve).
Finalizámos com uma sobremesa, oferta da casa, um gênero de pannacota. Muito boa.
No ambiente menos chinês da nossa estadia, mas sem espaço para eventos bélicos sino-japoneses, tivemos uma óptima refeição, num ambiente harmonioso, bonito e confortável.