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sábado, 7 de maio de 2016

Khyber | Realeja Mughal em Mumbai

Todos os famosos já lá estiveram. Artistas de Hollywood, artistas de Bollywood, músicos, políticos. Indianos, europeus, americanos.
Faltávamos nós. Estavam à nossa espera. Ou se não estavam, pelo menos receberam-nos bem.
Cá fora o calor quase que nos fazia derreter. Quando entrámos no Khyber, em Fort, Mumbai, logo começámos a regularizar as nossas temperaturas. 
Percorremos várias salas até chegarmos ao nosso poiso.
O espaço do restaurante é sedutor e decorado com madeiras, pedra trabalhada, lanternas a óleo e caligrafia urdu.
Ali sente-se aquele encanto áspero, mas com os confortos modernos, que remete para o noroeste da Índia, em tempos dominado pela realeza Mughal.


O menu contém essa herança e centra-se sobretudo nas carnes, kebabs, tandooris e ricos caris.
O couvert é pleno de cor. Molho verde, cebola em pickles, pickes de outros vegetais, limas, malaguetas verdes.
De partida solicitamos um lassi de manga para mitigar a presença do picante.


De pratos principais, para partilha, escolhemos frango salteado com cebola, gengibre, alho e chillies verdes cozinhado com espinafres, camarões marinados com leite de coco e chutney de coentros e tandoori de frango feito no forno de argila.


De acompanhamento os indefectíveis arroz basmati e naan.
Tudo elaborado com a alma e de confortar qualquer estômago.
A fechar, como que a preparar a saída para as altas temperaturas exteriores, terminámos com um paan Kulfi, o consistente gelado indiano.

Colaba Social | Mumbai

"De quem é a cidade de Bombaim? Bombaim é uma cidade de devoradores de vadapav, tinha-me dito Mama, da Companhia de Rajan. É o almoço dos que vivem em chawlis, dos condutores de carroças, dos miúdos de rua; dos empregados de escritórios, dos polícias e dos bandidos."


Como se pode perceber pelas palavras de Suketu Mehta, no seu Maximum City, obra de referência sobre Mumbai, na cidade todos comem vadapav.
Vadapav é uma sanduíche de bolas de lentilhas picantes fritas. Trata-se de uma das comidas de rua mais populares. Tão popular que é transversal a qualquer classe social.
Foi também o nosso almoço. É certo, que, por falta de oportunidade, não comemos esta especialidade local na rua, o sítio mais adequado, mas sim num restaurante trendy em Colaba.


Assim, no Colaba Social, restaurante na rua de trás do Hotel Taj Mahal Palace, degustámos não só o vadapav como outro dos pratos de rua mais populares da cidade, o Bhelpuri, do qual já aqui falámos.

Deliciámo-nos também com um biryani de frango.


Acompanhado de uns aperitivos crocantes, que se encontram com frequência nas bancas de comida nas ruas de Mumbai.


Apesar de não ser tão tradicional e rico culturalmente, para quem não se sente à vontade de comer estas iguarias locais na rua, há sempre a hipótese de entrar na realidade gastronómica em espaços mais confortáveis.
Pelo mundo ocidental nunca os eventos de street food estiveram tão na moda. 
Por aqui o trendy foi à rua buscar a inspiração.
O resultado é muito bom.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Chowpatty Beach | Street Food

Chowpatty é um dos melhores locais de Mumbai para se sentir o espírito e vibração da cidade.
Localiza-se no bairro de Girgao, no final da Marine Drive e na transição para o bairro de Malabar Hill.
É uma das praias mais famosas e populares de Mumbai.
Contudo, aqui o conceito de praia é bem diferente do por nós conhecido e assumido. Ninguém estende uma toalha para apanhar sol. Nem tão pouco se desloca à água, em trajes de banho, para um banho refrescante.
Sim, vê-se pessoas sentadas em toalhas ou esteiras, alugadas no local.


Verdade, há pessoas na água, mas vestidas ou só a molharem os pés.


 
Os hábitos culturais e a qualidade da água não permitem a apropriação dada à praia noutros locais do mundo.
Ali, a praia é um local de encontro e de lazer, sobretudo ao final do dia, depois de uma jornada longa e cansativa.
Vê-se pessoas de todas as idades. As crianças brincam. Os adolescentes jogam cricket. Os namorados trocam carinho. Os adultos convivem. Os vendedores vendem tudo e mais alguma coisa. Balões, brinquedos, comidas locais.
O ambiente é vivo, mas descontraído.




O sol desce para o Mar Arábico e a atmosfera torna-se diáfana e serena, em contraste com a azáfama que prossegue, a uma distância confortável, nas nossas costas, onde o trânsito caótico não desarma.
Fazemos como os locais e deslocamo-nos para as bancas na parte de trás do areal.

É ali que experimentamos o famoso bhelpuri.
 

Ao lado dos locais, que estão tão felizes como nós.
 


 

É qualquer coisa de maravilhoso.
Crocante, diverso, rico, guloso.
Trata-se de uma massa fina frita crocante misturada com arroz tufado, lentilhas, cebola, suco de limão, ervas, pimentão e chutney de tamarindo. Uma delícia.
Podíamos também ter optado por um chamuça, um pav bhaji, vada pav, bhurji pav ou outra iguaria local. Contudo, infelizmente, o estômago não aguenta tudo de uma vez.
Mas aguentou a oferta do dono do estabelecimento que, amavelmente, nos ofereceu uma variação do bhelpuri, mais ao estilo de aperitivo.


 
Já antes tínhamos comido o, considerado, melhor kulfi da cidade no New Kulfi Centre.
 

Este gelado de firme texturado pode ser devorado em múltiplos sabores. Escolhemos o aroma, no caso manga, pistáchio, laranja e  chocolate.
 


É verificado o peso.
 

Depois é só deliciármo-nos.
Pelas vivências e dinâmicas que reúne, Chowpatty é uma parte essencial de uma experiência em Mumbai.

Ziya | Mumbai

Intensa é talvez uma das melhores palavras que qualifica a culinária indiana.
Como é sabido, a comida indiana, apesar de muito diversa, tem um elemento comum, a intensidade, que advém sobretudo dos inúmeros condimentos que a compõem.
Imagine-se então o que é propormo-nos fazer um menu de degustação num restaurante de cozinha indiana.
Não é fácil, adianto já. Uma vez que o grau de intensidade é elevado ao número de pratos que formam o menu.
Tivemos esta experiência no restaurante Ziya, em Mumbai, um dos restaurante inserido no 5 estrelas Oberoi Hotel, na Marine Drive.
Depois de entrarmos num ambiente elegante e esplendoroso (Ziya significa esplendor e luz), rodeado de ouro - dos mosaicos aos painéis de parede passando pelos talheres e pratos -, implantou-se uma dúvida, por que tipo de proposta optar?
Escolher à carta ou entregarmo-nos a um dos menus de degustação?

 
Uma voz corajosa ditou a decisão final, seguir para o menu de degustação.
Optámos pelo menu Gourmand, composto por 7 pratos, que nos conduziu a uma viagem pela cozinha indiana contemporânea desconstruída e reinventada pelo chef Michelin Vineet Bhatia.
Enquanto ainda nos deslumbrávamos com o espaço, incluindo a vista alcançada pelas grandes janelas viradas para o Mar Arábico, chegou o couvert. Diversas fatias de papari coadjuvadas de molho de beterraba, manga e verde.
 
 
Apresentou-se também o cocktail escolhido. Margarita de tamarindo.
Que coisa mais surpreendente na composição e maravilhosa no palato.
Claro que o travo picante está presente.
 
 
Depois do colorido dos molhos chegou o primeiro prato, camarão grelhado com folhas de caril e chutney de coco (Grilled Curry Leaf Prawn. Idli fry, coconut chutney). Acabou por ser o prato mais suave e com a composição mais bonita da noite. Apresentado com um conjunto de pedras e uma casca de coco, transportou-nos para sul, até  Kerala.
 
 
Prosseguimos para um prato de peixe com crosta picante de macadamia, redução de beterraba, ervilhas e Upma (Macadamia Machi. Beetroot saar, green pea upma).
Este prato, aparentemente inócuo, engana, pois é bastante picante, como qualquer prato indiano não consegue deixar ser.
Ainda neste segundo momento da refeição chegámos a duas conclusões: todos os pratos apresentados serão picantes e iremos cruzar-nos com uma diversidade de produtos que não imaginamos o que sejam.
 
 
Neste caso surge a upma, o creme branco da fotografia, que se assemelha a uma cremosa polenta ou a um risotto.
No que respeita à primeira conclusão, finalmente, resolvemos  perguntar a razão de a comida ser tão intensa na Índia, um país genericamente de clima quente.
A resposta que surge do empregado que, excepcionalmente, nos serve é um simples "porque adoramos". Puxamos por ele e confirmamos uma outra conclusão, à qual já tínhamos chegado, um prato que um indiano considere não picante será picante numa escala avançada para um europeu.
Prosseguindo. Mergulhámos num prato de frango (Lasuni-Til Chicken Tikka. Chowpatty bhaji, crisp idiyappam). É um piscar de olhos à comida de rua, como os pav e bhaji, mas aqui com um toque sofisticado.

 
Enquanto as papilas gustativas mostravam toda a sua irrequietação surge para acalmar o palato um sorvete de açafrão com champagne Moët Chadon.
Excelente.
 

O empregado ficou a pensar no que questionámos momentos antes e, talvez preocupado, trouxe-nos este molho à base de iogurte e com sementes de romã. Justificação: ajuda a acalmar o picante. Motivo: o prato a seguir é picante.
 
 
A sério? E os outros, não eram?
Venha ele. Lagosta, grão de bico, cebolinha, pulau e chutney de pimenta vermelha (Chilli Burnt Butter Lobster. Chickpea-spring onion tawa pulao. Crab-red pepper chutney).
Prato desarrumado, mas que foi bem arrumado e acomodado no estômago.
Carne da lagosta divinal.
E sim, sobrevivemos à intensidade anunciada sem recurso a paliativos.
 

Do mar passámos para a terra e fizemos uma incursão ao norte da Índia.
Costeleta de borrego temperada com gengibre, batatas Rawale e Tikki de espinafre (Achari Tandoori Lamb Chop. Raiwaale aloo, spinach tikki. Saunf makhni).
Pela minha intolerância à carne de borrego, experimentei apenas este prato na versão vegetariana.


De estômago a transbordar e de boca dormente, encaminhámo-nos para o final. 
De sobremesa Gulkand Choco, cheesecake de líchia e mousse de chocolate Gulkand, rosa Rasmalai, kulfi de chocolate preto, caviar rosa, folha Betel comestível e crumble de pistachio.
Novidade, não sentimos nada de picante neste prato.
Hallelujah! Aleluia em híndi.
 
 
Durante umas horas mergulhámos e embrenhámo-nos numa viagem culinária através da Índia, pelas suas tradições regionais, crenças religiosas e técnicas de cozinha.
Saímos com a sensação de não termos apreendido todos os significados inerentes a cada prato. Essa será sempre uma dificuldade numa cultura que não conhecemos totalmente.
Ainda assim, e apesar da complexidade de ingerir tantas composições intensas, foi uma grande experiência. Ao nível da Índia. Tão difícil como desafiante e saborosa.


terça-feira, 26 de abril de 2016

Goa | Padarias

Talvez marca da influência portuguesa não poucas vezes durante a nossa estadia em Goa deparámo-nos com padarias.
Como esta em Goa Velha, a caminho da Capela da Nossa Senhora do Monte, que não chegámos a entrar.


Entrámos antes numa no centro de Goa Velha, onde comemos chamuças, mas também podíamos ter comido doces. Mesmo assim escrito em português, D O C E.
A presença portuguesa deixou de ser uma realidade, mas a influência está lá nas pequenas coisas do quotidiano.
 

Em Candolim, detivemo-nos nesta montra e comemos vários bolinhos, entre os quais o jalebi, especialidade do norte da India.
 

Em Panjim, em dia de Holi, a maior festa Hindu, a qual celebra a entrada na Primavera, depois do nosso corpo ter assumido todas as cores da tabela RGB, parámos na padaria Geeta.


Solicitámos um conjunto de bolinhos secos. Amêndoa, coco, baunilha. E seguimos rumo à árdua tarefa de retirar as cores da nossa pele.


Em Chandor, junto ao mercado, não aviámos nada mas chamou-nos à atenção o charme da padaria.
O interior cuidado contrasta com o exterior, a precisar de um retoque. 


Outra influência portuguesa, que também não chegámos a experimentar, são os licores.


Fica para a próxima.

Goa | Mercados

Passear pelas ruas da Ásia tem como garantia uma oferta sensorial.
Em Goa não é diferente.
Cruzamo-nos com frequência com bancas ambulantes, bancas improvisadas, pessoas sentadas a vender, mercados.
As frutas e os legumes são presença constante. Nos mercados a oferta é maior e é possível encontrar outros produtos.
Durante a nossa estadia cruzámo-nos com esta venda ambulante no bairro das Fontainhas em Panjim.
 
 
Também nas Fontainhas deparámo-nos com esta senhora a vender frutas junto a um bonito painel de azulejos portugueses.
Aqui provámos a sapotta, também conhecida como kiwi indiano.
 
 
Ao final do dia, na praia de Miramar, em Panjim, nada melhor do que uma água de coco.


Antes de apanharmos uma camioneta para qualquer ponto do Estado de Goa, aviamos frutas nas bancas junto ao terminal de camionetas de Panjim.


Na Velha Goa, nada como restabelecermos as energias depois do êxtase que o lugar oferece.


No mercado de Anjuna deparámo-nos com uma oferta imensa de especiarias.


Em Margão, terra das especiarias, deparámo-nos com as malaguetas a secarem ao sol.



Próximo de Quepém de repente assola-nos uma vontade imensa de comer melancia.


Em Chandor, depois de sairmos da Casa dos Menezes Bragança, parámos no pequeno mercado da terra. Deambulámos pelas bancas, interagimos com os locais, comprámos fruta. Um deleite.











Tamarindo