sábado, 15 de março de 2014

Mercado de San Antón | Madrid

Começou por ser, no século XIX, um mercado ao ar livre. Em 1945 foi construído o primeiro edifício. Nos anos 90 do século XX as mudanças de hábitos de consumo fizeram com que entrasse em decadência. Em 2007 é demolido o velho edifício, para em 2011 ser inaugurado o edifício actual. 
Esta é a biografia resumida do Mercado de San Antón, situado na Chueca, em Madrid.
Tal como o Mercado de San Miguel, já referido neste espaço, este mercado foi incluído no Plano de Modernização e Dinamização dos Mercados de Madrid da responsabilidade do Ayuntamiento de Madrid, com o objectivo de adaptá-lo aos novos tempos.
Assim, o novo mercado apresenta um modelo misto, isto é, para além dos pontos de venda apresenta   diversos espaços de restauração, sejam de gastronomia formal ou informal, baseada em tapas.
 
Dividido em 3 pisos, num espaço que sobressaí pela organização, limpeza, beleza e modernidade, podemos encontrar frutaria, venda de legumes,
 
talho, charcutaria, peixaria,
doçaria, padaria, conservas, pontos para tapear.
 
No último andar há um restaurante com um terraço-lounge, que apresenta uma cozinha de mercado e oferece a possibilidade de se escolher os produtos no mercado, para os mesmos serem cozinhados ao nosso gosto.
Todo o espaço do mercado é apetitoso e de um bom gosto enorme.

terça-feira, 4 de março de 2014

Astrid & Gastón em Madrid

Gastón Acurio é uma estrela no Peru. Apesar de poucos peruanos terem oportunidade de irem aos seus restaurantes, pelo mediatismo do chef Peruano, que tem programas na televisão, colaborações em revistas, vende livrinhos com receitas nas bancas de jornal, todos o conhecem.
Conheci o fenómeno quando fui de viagem ao Peru. Acabei por não ir ao seu restaurante em Lima, mas adquiri os tais livrinhos com receitas numa banca de jornais na cidade nortenha de Chiclayo.
Desde então tenho estado atenta a algumas das movimentações deste embaixador da cozinha peruana.
Tendo perdido a oportunidade de conhecer a sua cozinha em Lima, ocorreu-me que a forma mais fácil de me redimir dessa situação era fazer uma incursão até seu restaurante em Madrid.
Assim foi. Recentemente deslocámo-nos até ao A&G, em Madrid.
Gastón opera em conjunto com a sua mulher, de origem alemã, Astrid Gutsche. Daí o nome do restaurante, com as iniciais de ambos.
A ansiedade era grande.
Com algum tempo de antecedência fizemos a reserva no restaurante e optámos pelo menu de degustação tradição. É ainda oferecida a possibilidade de optar pelo menu de degustação Inovação ou pela escolha à carta.
O restaurante, localizado no elegante bairro de Salamanca, apresenta uma decoração minimalista mas acolhedora e intimista. A primeira sensação é que se entra num espaço de luz reduzida e, por momentos, antecipamos algum desconforto visual. Mas logo após estabelecidos à mesa percebemos que a distribuição da iluminação, com luzes directas em cada mesa, dão o efeito de luz reduzida na envolvente mas em contraponto iluminam o essencial.
Arrancámos a refeição com um pisco sour, o cocktail típico peruano. Perfeito.

O couvert, elegantemente apresentado sobre uma pedra, foi composto por folhas de arroz, duas qualidades de pão, um de sementes e outro de batata, e manteiga de orégãos.Destaque para a textura e sabor da manteiga, que se derretia no pão ainda quente, para o pão de batata e para as folhas de arroz.
 
De seguida, como oferta do chef, veio um tártaro de polvo com batata. Um excelente prenúncio. A textura do polvo e o tempero começaram a entusiasmar as papilas gustativas.

Como primeiro prato do menu de degustação chegaram à mesa os tradicionais ceviche e o tiradito. Ambos muito frescos. O leche de tigre e a qualidade do peixe emocionaram.

O prato seguinte foi Causa. Surpreendeu logo pela forma como foi apresentada, diferente da clássica, e continuou a surpreender pela qualidade dos ingredientes. A combinação do atum (muito macio), da batata prensada, do ovo de codorniz e das sementes de mostarda apresentou-se perfeita.

Começámos a ter receio que este momento de deleite passasse rapidamente demais…
Sem mais ansiedade, de seguida veio Anticucho clássico. O menu base prevê que seja de coração de vaca, mas atendendo às susceptibilidades que este ingrediente provoca, ao inicio da refeição, é nos questionado se pretendemos manter esta opção ou trocar por polvo. Vieram as duas possibilidades para a mesa e ambas, feitas na brasa, surpreenderam pela qualidade e maciez da textura. Fizeram-se acompanhar de uma qualidade de batata peruana e milho frito salteado em manteiga.










O prato seguinte foi Corvina al Vapor, ao “estilo suado”, com cebola, tomate e yuca (tubérculo). Apesar de muito saboroso, nomeadamente o caldo, a corvina apresentou-se ligeiramente seca.

Por fim, veio Ají de Gallina, com galinha, batatas violetas, azeitonas desidratadas e ovo de codorniz. Apesar de bem confeccionado, foi o prato que menos gostei.

A rematar a refeição, de sobremesa, foram apresentadas duas em uma, Picarones e Suspiro. Os picarones surgiram com uma calda de verbena e gelado de mel. Ambas estavam boas.

A fechar a refeição ainda houve tempo para um mimo do chef.
Tenho que assumir. Foi uma noite feliz.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Chocolate em Lisboa

Faz uma semana decorreu o Chocolate em Lisboa, na multifacetada arena do Campo Pequeno.
Hesitei em ir porque advinhei um evento mega concorrido. Acabei por decidir acorrer ao evento por, metereologicamente, se antecipar temporal para o dia e a estratégia delineada apontar para chegarmos à hora de abertura. 
Mas nem o tempo que se abateu nem o horário demoveram o público.
Antes da hora de abertura já se formava, sob a intempérie, uma fila para entrar, que até acabou por escoar rapidamente.
Conseguimos uma meia hora de fruição mais ao menos descansada pelas várias banquinhas. A partir desse momento o caos gradualmente instalou-se e resistimos até ao ponto da impossibilidade de circulação.
Sobre o evento. Estiveram presentes algumas das marcas/lojas mais conceituadas, conhecidas e badaladas (Chocolataria Equador, Denegro, Regina, para citar apenas algumas) mas também muitas outras, pelo menos para mim, desconhecidas.
Como comentava uma amiga, no pós-evento, é um clássico assistir às filas intermináveis que se geram à volta dos pontos mais tradicionais, como a venda de chocolate quente e das bombocas, em detrimento das apostas menos clássicas e desconhecidas.
Também adquiri bombocas, que me remetem sempre para a infância e para o mítico reclame televisivo    (provavelmente muitos também as procuram pela mesma razão), mas todas as outras aquisições foram diferentes e algumas, mesmo, arrojadas.
Na banca da Siopa, de Cascais, forneci-me de bombons bem exóticos. De Framboesa e Manjericão, de Foie Gras de Canard, de vinagre, mel, limão e algas e de Boletos (por ordem da esquerda para a direita).

Comprei ainda um chocolate de tomilho, da NewTree, marca Belga, que estava disponível para prova, e que me pareceu muito interessante. Da mesma banca, trouxe também uns chips de maçã cobertos de chocolate negro, uma combinação igualmente interessante.
Trouxe ainda um maravilhoso charuto de chocolate de canela dos chocolate artesanais da Comes, de Valência.
Havia por lá muitas outras propostas provavelmente interessante. Pelo menos visualmente. Acredito que de sabor também.
E outras remetiam-nos igualmente para outros tempos. Quem se lembra dos furinhos surpresa dos chocolates Regina? A minha memória viajou bem até lá atrás.
Valeu a pena enfrentar a enchente metereológica e humana.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Jogo de Sabores | Macarons da Arcádia

"Ponho no forno
Um bolo de maçã
Calor e alegria
Nesta tarde.
Calorias, bem vês,
Moldam-me o corpo
São vestes,
São reversos
São afagos.
 
Acumulo-te em mim
Em quilos de farinha,
De açúcar, de ternura
De opressão
 
O que sei fica tão longe
Do que sinto
E a noite é tão profunda
Que me minto
A toda a hora
Em cada decisão."
 
Isabel Fraga, in "A Música das Esperas"
 
O exercício, gostoso, foi receber a caixinha, abrí-la e desvendar os sabores dos maravilhosos macarons da Arcádia, a clássica confeitaria do Porto, que recentemente chegou também a Lisboa.
Falhei o sabor de um dos macarons, provavelmente o mais difícil, o que tem recheio de Vinho do Porto Cálem (o castanho na fotografia).
 
Dos outros, de menta/hortelã, limão, maracujá, canela e laranja, descobri com facilidade os aromas.
Como procuro a excelência, repetirei de forma a aprimorar o paladar.

Pizzaria do Bairro

Os ingredientes são todos portugueses, com excepção da farinha, que é italiana. Tal como os donos, embora italianos de origem albanesa. O irmão é o pizzaiolo de serviço, a irmã responsável pela gestão do espaço, assim como do recentemente inaugurado Vestigius, virado para o rio e contíguo à Pizzaria do Bairro.
Os espaços ficam no Cais do Sodré, colados à estação de comboios e ao terminal dos barcos.
Logo que se entra no pequeno espaço da Pizzaria do Bairro os sentidos são activados. O cheiro é contagiante. E a vista, para o balcão dominado pelos tabuleiros com as pizzas, igualmente irresístivel.
As pizzas são ao corte (al taglio) e, como já referido, todas com ingredientes portugueses, pelo que espinafres, grelos, bacalhau, requeijão compõem algumas das pizzas.
Experimentámos a de bacalhau com espinafres e broas, a de atum, tomate e cebola e a de vários chouriços.
Todas maravilhosas.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Asian Style Food

O fim-de-semana foi tempo de rebastecimento de alguns produtos orientais no supermercado Chen, no Martim Moniz.
Para além dos clássicos dim sum,

resolvi adquirir cogumelos enoki frescos, duas massas japonesas, uma udon e a outra de chá verde, e também uma massa coreana.

Fiz logo os cogumelos enoki salteados com alho e alguns dos dim sum cozidos ao vapor. 
Refeição rápida e saborosa.

O Mundo das Conservas | Loja das Conservas

Inovação é uma palavra presente no léxico actual, nomeadamente quando se fala de economia. Aliar à tradição a inovação é um desafio, que nem sempre é alcançado com sucesso. Há no entanto sectores que se têm conseguido superar e reinventar. O das conservas é um deles.
Apesar de antiga e tradicional, a indústria conserveira teve um período de forte declínio. Até há bem poucos anos recorríamos às conservas para elaborar uma cozinha de sobrevivência (ou por não se saber cozinhar ou por não haver condições, económicas e logísticas, para tal). Actualmente tudo mudou.
Projectos recentes e inovadores, como o, já aqui falado, Sol e Pesca, e o Can the Can, entre outros, vieram-se juntar a outros mais tradicionais que conseguiram sobreviver ao longo dos tempos, como a Conserveira de Lisboa.
Através de uma imagem forte, apoiada num design retro, tão em voga, bem como através da reinvenção da utilização do produto, que é tanto utilizado na elaboração de entradas como de pratos principais criativos, assim como as preocupações de sustentabilidade de algumas marcas, nomeadamente a Santa Catarina, dos Açores, que viu o seu atum ser distinguido pela Greenpeace como o mais sustentável do mundo, fazem com que as conservas estejam definitivamente de volta e na moda.
Neste contexto de ressurgimento, no final de 2013, surgiu um novo projecto sob a chancela da Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe (ANICP), a Loja das Conservas, localizada na Rua do Arsenal.










A loja é a imagem de tudo o que se referiu até aqui, ou seja, é inovadora, atractiva e encantadora. Mas importa que a imagem seja acompanhada de conteúdo, que ali não falta. O espaço reúne 17 marcas de conserveiras nacionais, comercializando mais de 300 produtos, alguns dos quais anteriormente apenas disponíveis no mercado de exportação.
Para além da vertente comercial, a Loja das Conservas apresenta uma componente informativa através dos painéis que se encontram afixados pelo espaço comercial e que permitem perceber a dinâmica comercial e ter um maior conhecimento das conservas nacionais.
Obviamente que da minha visita a este fascinante espaço comercial não saí de mãos vazias. Trouxe três conservas, uma de filetes de cavala em azeite com picles da La Gondola, conserveira de Matosinhos, umas petingas picantes da Pinhais, também de Matosinhos, e uns filetes de cavala fumada da Comur, da Murtosa. Estes dois últimos produtos foram sugestão do simpático funcionário, que ainda me deu uma dica de como elaborar as cavalas fumadas.
Darei nota do resultado em breve.