segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Cantina 32 | Porto

Tinhamos concretizado com muito sucesso a corrida de 16 km, por um lindo percurso que englobou o Porto e Matosinhos.
Mereciamos um prémio.
Na noite anterior, para termos energia para o dia seguinte, queriamos uma refeição em grande e procurámos um dos, actualmente, restaurantes mais badalados do Porto. Contrariamente ao que tinhamos lido, a reserva era imprescíndivel, devido ao sucesso e grande procura do restaurante.
Nessa noite sentimos que o Porto está mesmo na moda. Todos os sítios estavam cheios ou com reservas. Acabámos num pequeno restaurante de petiscos junto ao Jardim da Cordoaria, o Vira Lata.
Mas não foi a refeição dessa noite que ficou na memória. Foi antes, o jantar que era para ter sido e que virou almoço do dia seguinte.
Um sítio que apresenta esta proposta só pode ficar na memória. Penso que todos concordarão.
Bem, mas já lá iremos. Vamos começar pelo início.
No centro histórico do Porto, na pedonal e cool Rua das Flores, localiza-se o Cantina 32, um restaurante com uma decoração muito bonita e original. A contrastar com as paredes em betão armado, são apresentados elementos decorativos rústicos, outros retro, que no global criam uma atmosfera acolhedora e cheia de personalidade.
A ementa é igualmente cheia de personalidade e muito apelativa. Na senda do momento, apresenta diversas propostas para picar, petiscar e partilhar, mas também comporta ofertas de pratos principais, que são entitulados como "Propostas Verdadeiramente Sérias" e que se dividem em "Para 1 ou 2 com pouca fome" e "Para 2 com alguma fome".
Decidimos optar, adicionalmente ao couvert, composto por manteiga de banana com flor de sal (óptima), azeites aromatizados, tremoços e pão, por um petisco de entrada. O eleito foi salmão curado em mostarda, laranja, molho de chalota e ovo raspado.
Para além do excelente efeito gustativo, o efeito visual de apresentação esteve em conformidade. Destaque para o mimo do mini raspador para auto-rasparmos o ovo cozido.
Das "Propostas Verdadeiramente Sérias"escolhemos, para partilhar, o Bife de atum com ananás, sésamo, coentros e acompanhado de batatinhas a murro. O atum apresentou-se distintamente braseado, as batatinhas exemplares e a conjugação de sabores perfeita. 
Ainda nas propostas sérias prosseguimos para a posta de novilho laminada com batata a murro e salada básica. Tudo apetecívelmente saboroso e perfeito. E também original. A salada básica é meia alface, excepcionalmente tenra, polvilhada por queijo ralado.
Rendidos até ao momento, avançámos para os "doces e outros finais".
Solicitámos quatro centímetros e bolo de bolacha com nougat de amêndoa. Sim, é verdade, aqui o bolo de bolacha é, originalmente, servido ao centímetro. Melhor, maravilhosos centímetros. Até eu que não deliro com bolo de bolacha fiquei rendida.
A outra proposta que solicitámos foi o vaso da primeira fotografia deste post. O pseudo-vaso de hortelã é, surpreendentemente, um estonteante cheesecake de banana caramelizada e chocolate. Muito divertido, original e delicioso.
Que maravilha.
Que dia pleno. Nem a ratoeira final foi dolorosa.

DeCastro Gaia

Fomos até ao Porto com o propósito maior de participar na Family Race, corrida de 16 km, inserida na Maratona do Porto.
Obviamente que não iriamos reduzir o nosso fim-de-semana à vertente desportiva, ainda mais numa cidade tão apetecível, nas diversas dimensões, como o Porto.
Procurámos assim estabelecer um programa diversificado, onde houvesse espaço para a vertente desportiva, cultural e gastronómica.
Neste último capítulo iniciamos a nossa incursão no deCastro Gaia, restaurante inserido no edifício da Porto Cruz, localizado no Cais de Gaia.
O Porto Cruz é um espaço que procura celebrar a cultura do vinho do Porto e que congrega diversas funções, nomeadamente loja, sala de provas, sala de exposições, auditório, restaurante e esplanada panorâmica.
Já conhecia a cozinha mais petisqueira do chef Miguel Castro e Silva (De Castro Elias e espaço do Mercado da Ribeira, ambos em Lisboa) e pareceu-me óptima ideia conhecer um dos seus espaços na sua região natal.
A ementa divide-se em duas componentes, propostas para picar e pratos principais. Num ambiente moderno, ao estilo minimalista nórdico, bonito e informal optámos por degustar algumas das propostas para picar apresentadas.
Depois de termos escolhido a maravilhosa, e já nossa conhecida, sangria de Porto Cruz Pink, começámos a refeição com cavala fumada com escabeche de cebola e Porto. Composição excelente.
De seguida chegaram as iscas do cachaço do bacalhau. Fritura e maciez perfeita.
Avançámos para a morcela da Beira com maçã e cebola. Contraste de sabores sempre magnífico, atingindo ainda mais a excepção pela qualidade dos ingredientes.
Sem mais demoras, debruçámo-nos e deliciámo-nos com os fígados de pato com compota de cebola, que foram votados como o petisco do dia.

Para terminar a ronda dos petiscos, a emblemática e local Francesinha, em formato mini.
Para fechar a refeição, maravilhosamente, ordenámos um gelado Tawny com amêndoa e um gratinado de maçã com gelado de baunilha.
No final, e antes de nos embrenharmos pela cidade do Porto, subimos ao último piso do edifício, onde nos deliciámos com a vista do Terrace Lounge 360º.
Cada vez nos sentimos com mais energia para correr pela cidade, o pretexto da nossa visita.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

À Mesa na A Mesa

Acabou assim. Com os pratos vazios. 
Iniciar assim seria negativo. Terminar desta forma é muito positivo. É dos maior elogios que se pode fazer a uma cozinha.
O início passou por escolhermos as pizzas mais entusiasmantes.
Naquele dia foram a Castelo e a Bairro Alto.
A ementa da pizzeria A Mesa faz-se sobretudo de pizzas, mas também de massas e saladas.
As pizzas têm nomes de bairros de Lisboa. 
Como é o bairro do Castelo? Em formato de pizza é composto por frango desfiado, cogumelos frescos, rodelas de palmito e catupiry.
Deslumbrante e gostosa, como o bairro histórico que está no cume de uma das colinas lisboetas.
E o Bairro Alto, do que é feito?
Tem um toque picante.
Será pela sua boêmia? Talvez.
Mas aqui os ingredientes são outros. Salame pepperoni, mozzarella de búfula, sementes de gergilim e geleia de pimenta.
Excêntrica e saborosa, ao estilo do bairro notívago.
A degustação das pizzas faz-se de forma descontraída, ao longo da, única e gigante, mesa do estabelecimento. O mote é congregar e promover o convívio entre todos os comensais. Conhecidos e desconhecidos.
Foi o que nos aconteceu na última visita. Ao nosso lado estavam uns holandeses, de visita a Lisboa, com quem animadamente e tranquilamente fomos falando e partilhando as pizzas e palavras, enquanto lá fora o dilúvio não dava tréguas.
No entanto, no interior o conforto era total.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Leopold

Leopold. Não encontramos nenhum Gustav Klimt. Nem tão pouco as obras atrevidas do expressionista Egon Schiele. O único vestígio do museu vienense é o nome, gravado na janela, e um poster no interior do pequeno espaço.
No entanto, há outros paralelismos. Neste Leopold, restaurante, tal como no museu, também se encontra arte, criatividade e imaginação. Muita.
No nº 27 da Rua de S. Cristovão, na Mouraria, não há fogão nem outros elementos comuns de uma cozinha. Aqui, no espaço de uma antiga padaria, todos os pratos são confeccionados a vácuo, com um Roner.
A cozinha de Tiago Feio, o chef, é feita de experimentalismo e muita originalidade. Originalidade que se prolonga do modo de confecção ao produto final.
Na carta, curta pelos processos utilizados e pela pequena dimensão do restaurante (12 pessoas), encontramos propostas muito interessantes, quer na combinação de sabores e texturas como na apresentação.
Todos os pratos foram apresentados em loiças, lindíssimas, das Caldas.
Começámos com ovo cozinhado a 63,5 graus, cogumelos shitakes e sementes de trigo sarraceno.
Combinação perfeita, com o sabor forte dos cogumelos e o crocante das sementes a fazerem o contraponto com a maciez do ovo.
Continuámos com um portento de originalidade e sucesso.
Legumes na Terra, composto por alfarroba e cacau, a representarem a "terra", espinafres turcos, beterraba, puré de nabo, cenouras bebés, os legumes que brotam da "terra", e miso branco.
Avançámos, com muito entusiasmo, para o bacalhau cozido, com couve lombarda, cebola roxa em pickles caseiros e cuscos de Trás-os-Montes (cuscus feitos à mão).
Prato simples, mas muito bem conseguido. A posta de bacalhau estava no ponto com as lascas a soltarem-se com firmeza e textura macia. Os pickles deliciosos e os cuscos surpreendentes, com um travo adocicado.
Terminámos, de uma forma magnífica, com um creme de feijão com maçã, suspiros das Caldas e hortelã.
Sabe muito bem experimentar propostas empolgantes, e pouco comuns, como as apresentadas pelo Leopold. É daqueles sítios que ficamos a aguardar com ansiedade pela mudança de carta para explorarmos mais propostas interessantes, originais e deliciosas.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Dinastia Tang

A Dinastia Tang, entre 618 e 907, foi a dinastia chinesa que consolidou as principais estruturas do Império Chinês, sendo considerada a época de ouro da China medieval. Para além das profundas reformas institucionais inspiradas em Confúcio, marcou uma grande expansão territorial, reconstruiu importantes cidades e fortaleceu o exército.
Estes apontamentos históricos servem apenas para contextualizar o nome do restaurante que abriu recentemente na Rua do Açúcar, no Poço do Bispo. O Dinastia Tang, restaurante, parece procurar ter a grandiosidade da dinastia que lhe deu o nome.
Espaço enorme, com dois ambientes, uma sala no piso de baixo vocacionada para eventos e outra no piso de cima para as refeições normais do quotidiano. O piso de cima é marcado por uma bonita decoração tradicional chinesa.
A carta é muito vasta e com propostas diferentes do habitual restaurante chinês em terras lusas, que entretanto entrou em decadência.
Facilmente nos perdemos nas inúmeras propostas, que são sobretudo da cozinha cantonesa, pelo que pedimos sugestões.
Antes disso já tínhamos chegado à decisão de pedir a salada de medusa, que se apresentou muito saborosa.
Pedimos também beringela com carne de porco picada na púcura. Aposta muito válida, com a beringela muito macia e um equilibrio entre os diversos ingredientes.
Solicitámos ainda dim sum de camarão, que não deslumbrou mas também não comprometeu.
Por fim, pedimos o emblemático Pato à Pequim. A memória da última experiência criou todo um entusiasmo, que acabou por sair defraudado. O problema maior é que a referência era muito alta, um dos melhores patos à Pequim da capital da China. Porém, este pato, apesar de vir composto por alguns dos acompanhamentos típicos (massa de enrolar, molhos, vegetais), não estava especialmente bem trinchado, nem soberbamente macio, nem tão pouco com a pele crocante. É uma pena quando as expectativas não são correspondidas.
Ainda que este restaurante não seja tão grandioso como a dinastia que lhe deu o nome, valeu esta viagem até à China.

Boi-Cavalo

Rua do Vigário, Alfama. Na Lisboa tradicional e castiça há um restaurante com nome e espirito irreverente. É o Boi-Cavalo.
Instalado num antigo talho, o restaurante apresenta uma carta, que muda com frequência em função da disponibilidade de ingredientes, marcada por propostas ousadas, com combinações à partida inimagináveis mas que, pelo menos as que experienciámos, no fim resultam.
Num ambiente simpático e despretensioso e já com o vinho (Passarela, do Douro e Lua Cheia, do Dão, ambos tintos) à nossa beira, começaram a vir os pratos que escolhemos.
Primeiro os carapaus fumados com molho à espanhola, gel de Alvarinho e salada de ervas (funcho, coentros e cebola roxa).
Excelente a textura e sabor dos carapaus e surpreendente a originalidade e frescura do gel de Alvarinho.
Prosseguimos a refeição com o lingueirão bebé, gyozas de açorda, bulhão pato.

Fantástica combinação de sabores. Uma delícia.
A proposta seguinte foi camarão salteado, xerém de pipocas, couve e vinagreta de arenque. Destaque para o bem conseguido e original xerém de pipocas.
Por fim, chegou o pato a baixa temperatura, granola, manjericão e pancetta. Muito bem conseguido, quer na textura, combinação de ingredientes como no sabor. Óptima experiência degustar a carne macia, com o crocante da granola e da pancetta.
Terminámos a refeição com uma sobremesa, leite-creme de arroz, pêssego salteado e gel de canela. Deliciosa.
Como balanço, destaque muito positivo para a invenção e criatividade na associação de sabores. Já como ponto menos positivo, aponta-se a pequena quantidade dos pratos face ao preço e a, inexplicável, ausência de substituição de pratos e talheres com a mudança de propostas.
Apesar desta falha, por gostar de novas experiências e de ser surpreendida, prefiro valorizar a personalidade e a atitude deste restaurante, que me deixou com curiosidade em relação à próxima mudança de carta.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Quando a Cidade Entra por Nós - Panorama

A primeira sensação quando se chega ao último andar do quarto edifício mais alto de Lisboa é que a cidade entra por nós adentro. É uma invasão boa e deslumbrante.
É assim que nos são dadas as boas vindas no restaurante e bar Panorama, no Hotel Sheraton de Lisboa, o qual foi durante muitos anos, desde 1972 a 2000, o edifício mais alto da capital.
Com uma vista soberba de 180º sabe bem acabar a tarde por estes lados. Os nossos olhos alcançam desde a colina da Graça, mais a nascente, até Monsanto, mais a poente, e nos entretantos o Castelo de S. Jorge, a Baixa, a colina do Príncipe Real, as Amoreiras e como pano de fundo o rio Tejo, a sua ponte e a "outra banda".
Por estes dias é possível, diariamente, entre as 16h e 20h, beber um Gin Bulldog acompanhado por sushi.
Foi assim, descontraidamente e com um visual imperdível, que acompanhámos o declinar do sol e deixámos a noite vir.