sexta-feira, 18 de julho de 2014

Soba em Takayama

No Ebisu-Hoten faz-se soba teuchi (artesanal) desde 1898. Neste restaurante no bairro histórico de Sanmachi, em Takayama, para além de soba serve-se também udon (massa mais grossa).
Apostámos no prato forte da casa, a soba, e pedimos zaru soba, que é soba fria com algas secas servida num prato de bambu e com molho frio. Este prato tem tanto de simples como de saboroso. Talvez por isso a maioria das pessoas presentes no restaurante, que eram locais, estavam a saborear este tipo de soba.
A outra escolha foi soba nameko com tororo, que consiste em soba quente num caldo, acompanhada com nameko (cogumelos), ovo de codorniz, batata da montanha e vegetais.
Prato substancial e óptimo.




quinta-feira, 17 de julho de 2014

Food Box | Tóquio

Depois de 24 horas a viajar, chegámos já noite a Tóquio. Estabelecemo-nos num hotel cápsula no distrito de Shinjuku, de forma a no outro dia partirmos com facilidade de comboio para Quioto. Saímos para o meio dos neóns e frenesim urbano. 
Tínhamo-nos cruzado com um restaurante com um ar engraçado e fomos até lá.
Na montra, a exercer a sua função, estão alguns dos pratos disponíveis. Percebemos depois que é comum que isso aconteça em alguns estabelecimentos de restauração por todo o Japão. Mais, descobrimos também, que há uma artéria em Tóquio, a rua Kappabashi, conhecida como Kitchen Town, que vende amostras em plástico a representar os pratos, sobremesas, bebidas.
Expressão plástica à parte, entrámos e confrontámo-nos com o procedimento de escolha. Através de uma máquina, semelhante a uma Jukebox ou, menos poético, a uma máquina de tabaco, escolhemos o prato que pretendemos comer.
Simples. Não fosse estar tudo escrito em japonês. Mas rapidamente ultrapassámos esta dificuldade com a ajuda simpática de um funcionário e com o auxílio das amostras da montra.
Desafio ultrapassado, percorremos o corredor e instalámo-nos. O espaço, em madeira, é agradável e o ambiente é simpático.
Quando a comida está pronta fazem-nos sinal e vamos até ao balcão junto da cozinha buscá-la. Tem bom aspecto.
Ambos os pratos são com soba, uma massa à base de trigo sarraceno. Um é servido com a massa fria, ovo cru, algas, wasabi, negi (cebolinha) picada e uma pasta gumosa que não identifico ao certo do que se trata, embora de aspecto pareça amendoim.
O outro é com soba quente, ovo cozido, carne e negi picada.
Estavam agradáveis e ajudaram muito a restabelecer o corpo do jetlag.
Ah, e foram a porta de entrada na gastronomia japonesa, que nos acompanhou ao longo de 15 dias.
A viagem gastronómica nipónica iniciou-se.
行く!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Cozinha Popular da Mouraria | Cozinhas do Mundo

Foi no bairro mais multicultural de Lisboa, a Mouraria, onde estivemos para participar num dos seis jantares com cozinhas do mundo. Este evento decorreu na Cozinha Popular da Mouraria, que se associou ao festival de música Lisboa Mistura.
A Cozinha Popular da Mouraria é um projecto social, cívico e cultural, da iniciativa da fotógrafa Adriana Freire, que pretende envolver a população local em torno da cozinha, que pela sua linguagem universal permite criar interacções entre todas as comunidades locais.
A ideia dos jantares Cozi­nhas do Mundo – Mis­tura Popu­lar é dar a conhecer melhor diversas cozinhas do mundo. Das diversas possibilidades escolhemos a “cozinha bombástica do Médio Oriente” comandada por Dilma e Mali, respectivamente da Argélia, embora crescida na Palestina, e da Turquia.
Num ambiente descontraído e de interacção entrámos nos sabores do Médio Oriente.
De entradas (mezzes) deliciamo-nos com hummus, que é um prato à base de grão, tahin, alho, smac, servido em vários países do Médio Oriente;
Deleitámo-nos com Kabak mezesi, prato da Turquia, feito com curgete, iogurte e nozes;
 
Saboreámos Mtabal Betenjan, da Palestina, elaborado com beringela assada, iogurte, alho, tahin;
 
Encantámo-nos com Kofte de Lentilhas, de origem turca, que são bolinhos de lentilhas;
 
e sentimos a frescura do Cacik Mezze, que é servido em diversas partes do Médio Oriente, e feito com iogurte, pepino e menta.
 
Os pratos principais, ambos de origem palestina, foram Mjaddara, um prato vegetariano à base de tomate, batata e servido com salada árabe (pepino e tomate picadinho) e iogurte
 
e Kufta Bithinia (carne em molho de tahin).
As sobremesas, oriundas da Turquia foram Irmik Helvasi, sêmola com pinhão, e Kabak Tatlisi, abóbora cozida com calda de açúcar e nozes picadas.












 
Que viagem de sabores. Como bem sabe conhecer o mundo desta forma.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Fomos ao L'AND

Estava prometido. Íamos até Montemor-o-Novo almoçar ao restaurante L'AND, do resort L'AND &Vineyards.
O Verão tinha acabado de chegar, mas mais parecia um dia de Outono. Nada que abalasse o nosso propósito.
O edifício central do resort, onde está sedeado o restaurante, apresenta uma arquitectura contemporânea, ainda que não descure a tradição ao apresentar alguns apontamentos reinterpretativos como os pátios de influência árabe e romana.
O restaurante, ladeado por dois desses apelativos pátios e com vista para Montemor-o-Novo e o seu castelo, é um espaço muito bonito e acolhedor. O interior conjuga materiais como ardósia e madeira e apresenta um mobiliário de linhas exclusivas e elegantes. A elegância está também presente noutros apontamentos, como as toalhas e guardanapos de linho.
Feitas as apresentações do espaço físico, preparemo-nos para a componente gastronómica.
O restaurante comandado pelo chef Miguel Laffan recebeu no final do ano passado uma estrela no Guia Michelin. Acabou por ser uma das maiores surpresas, por ser um restaurante recente, discreto e fora dos principais eixos gastronómicos nacionais.
Optámos pelo menu de degustação, composto por seis pratos, dois dos quais sobremesas, e decidimos acompanhar a refeição com o vinho L’AND Reserva 2011 Tinto, um vinho tipicamente Alentejano, feito com Tou­riga Naci­o­nal, Tou­riga Franca e Ali­cante Bouschet.
A refeição iniciou-se com uma sopa de peixe da costa vicentina, lagostim assado e croquete cremoso de ostra envolto com tinta de choco.
A sopa apresentou-se muito saborosa, o lagostim macio e delicioso e o croquete com conjugação de texturas várias. Ora crocante na parte exterior, ora cremoso na interior.
Bom inicio.
Avançámos para um tataki de atum em mil folhas, compota de cebola roxa e chutney de manga com salada de rábano, coentros e bergamota. A acompanhar vinha também um croquete de atum com exterior de tinta de choco e erva príncipe, gotículas de wasabi e soja caseira. 
 
Este prato com uma bonita e harmoniosa composição, transporta-nos para influências asiáticas. Apesar de ter gostado da conjugação dos sabores, pareceu-me que o atum do tataki esteve demasiado discreto no sabor e o mil folhas um pouco seco.
Rapidamente seguimos para o salmonete de Setúbal na salamandra, açorda de caldeirada com lulas salteadas e salada crocante.
O salmonete apresentou-se com uma textura irrepreensivelmente macia e a açorda, soberba, estava de fazer levitar.
Prosseguimos para a carne, com um lombinho de porco de raça alentejana assado lentamente, gratin de couve-flor texturizado com salteado de espargos, ervilha e morcela regional.
O lombinho exibiu uma textura excepcionalmente macia e uma qualidade elevada. A conjugação com os restantes ingredientes esteve perfeita.
De entrada na secção das sobremesas, iniciamos com um tiramisu de pistacho com chocolate branco e cerejas confitadas, gelado de café e crocante de chocolate tainori. A conjugação de texturas e sabores tão distintos fez-se de uma forma harmoniosa. Destaque para o curioso sabor das ervas comestíveis que encimaram a sobremesa.
 
Por fim, terminamos com um duo de cenoura, terra de pistacho com espuma de açafrão e gengibre, gelado de mel. Composição de bonito efeito, acompanhada de igual prestação no sabor.
Assinalo a curiosidade de, apesar de o restaurante se localizar no interior do Alentejo, o presente menu de degustação apostar sobretudo em ingredientes do litoral. Não constitui uma crítica, antes uma constatação.
Como súmula pareceu-me que a cozinha desenvolvida apresenta uma matriz clássica com influências portuguesas, nomeadamente com uma aposta e valorização dos produtos regionais. Não se trata de uma cozinha espectáculo, criativa e divertida, mas antes uma linha que aposta numa boa confecção, bons produtos e conjugações harmoniosas.
Quem consegue estar sempre em festa? A simplicidade, harmonia e consistência são essenciais na vida. Pelo que, esta cozinha desenvolvida pelo Laffan, é absolutamente válida.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Tasca Kome by Yuko

Já conhecia o trabalho da Yuko, a mentora e alma do Tasca Kome, a nova tasca japonesa de Lisboa.
De uma forma brincalhona e pretensiosa posso dizer que sou sua discípula. De uma forma mais comedida e real digo apenas que foi com a Yuko que aprendi, o pouco que sei, sobre a elaboração de sushi e outras iguarias japonesas.
No final de 2011, através dos workshops que habitualmente desenvolvia (não sei se vai continuar), fiz a minha iniciação à confecção de sushi, que relatei aquiaqui.
Recentemente fui conhecer o seu novo restaurante, cuja decoração ficou a cargo do seu marido, Yuichi Fukuda, um dos vencedores do  concurso das Sardinhas das Festas de Lisboa do ano passado. Trata-se de uma composição artística que conjuga a sardinha com a carpa Koi. Está exposta numa das paredes do restaurante, assim como os vários cartazes e postais das Festas do Japão em Lisboa, deduzo que também da sua autoria.
 
De bebidas pedimos chá verde e saké. Ambos excelentes.
Sobre a comida, iniciámos com uma saborosa sopa miso.
Avançámos para o takoyaki, bolinhas de polvo fritas, que estava muito bom e foi eleito o prato vencedor da noite.
 
Continuámos com um ceviche de carapau,
 
com um intenso e original uramaki de beringela, cenoura e quiabo,
com um hosomaki de salmão e abacate,
 
e com um macio carpaccio de lírio.
Por fim, antes de passarmos para a sobremesa, comemos umas, muito saborosas, asinhas de frango com molho especial.
De sobremesa deliciámo-nos com uma fatia de bolo de chá verde e outra de cheesecake.
Final perfeito.

Última Station, Cais do Sodré

O filme Lunchbox, referido no último post, termina com a seguinte frase "às vezes o comboio errado pode conduzir-nos à estação certa".
A estação certa foi o Station, uma das novas coqueluches do Cais do Sodré.
É um restaurante, esplanada, bar e club. Experimentámos o restaurante e a esplanada, já que foi aí que fizemos a nossa refeição apesar do dia meteorologicamente bipolar nesta estranha Primavera lisboeta.
A vista é inspiradora, já que a esplanada está mesmo à beira rio, vislubrando-se os barcos e ao fundo a "outra banda".
O espaço interior, pelo menos o piso da entrada, uma vez que não conhecemos de cima, também é bastante agradável.
A comida é de inspiração asiática e apresenta pratos de fusão com origem na Tailândia, Vietname e Japão.
couvert composto por um ceviche de salmão foi o arranque da refeição. Começou bem.
Prosseguimos com umas gyozas de legumes acompanhadas de vinagreta de soja e gengibre, irrepreensíveis na textura e sabor.
De seguida virámos a nossa atenção para o tártaro de salmão com gengibre, soja e cebolinho e chips de wan tan. Impecável.
Sem mais demoras, saboreámos um, bem confeccionado, lombo de pampo envolto em folha de bananeira aromatizado com lemon grass e lima kaffir acompanhado de chutney de coentros e molho thai e arroz jasmin.
Para acompanhar a refeição pedimos ice tea's de manga e baunilha e toranja. Frescos e muito bons.
Encerrámos o repasto com uma sobremesa de abacaxi grelhado com gelado de sésamo preto (soberdo) e lâmina de coco.
De brinde tivemos direito também a dois pedaços de bolo de chocolate fondant, que se apresentou com uma textura cremosa e muito saboroso. Generosidade da casa, que apresentou um serviço eficaz e muito simpático.
Volta-se sempre às estações certas. Até à próxima.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Lunchbox

Bombaim. Cidade grande. Enorme.
Uma mulher, a sentir o seu casamento a escapar-lhe, decide recorrer aos conhecimentos gastronómicos da tia, com o objectivo de reconquistar o marido através da comida.
Sucede que o Mumbai Dabbawallahs, um popular serviço de entrega de comida na cidade indiana, erra a entrega e os pitéus vão conquistar o paladar e coração de outro homem.
É a sinopse de Lunchbox, de Ritesh Batra, filme de encontros e desencontros a partir da comida.