quarta-feira, 25 de junho de 2014

Fomos ao L'AND

Estava prometido. Íamos até Montemor-o-Novo almoçar ao restaurante L'AND, do resort L'AND &Vineyards.
O Verão tinha acabado de chegar, mas mais parecia um dia de Outono. Nada que abalasse o nosso propósito.
O edifício central do resort, onde está sedeado o restaurante, apresenta uma arquitectura contemporânea, ainda que não descure a tradição ao apresentar alguns apontamentos reinterpretativos como os pátios de influência árabe e romana.
O restaurante, ladeado por dois desses apelativos pátios e com vista para Montemor-o-Novo e o seu castelo, é um espaço muito bonito e acolhedor. O interior conjuga materiais como ardósia e madeira e apresenta um mobiliário de linhas exclusivas e elegantes. A elegância está também presente noutros apontamentos, como as toalhas e guardanapos de linho.
Feitas as apresentações do espaço físico, preparemo-nos para a componente gastronómica.
O restaurante comandado pelo chef Miguel Laffan recebeu no final do ano passado uma estrela no Guia Michelin. Acabou por ser uma das maiores surpresas, por ser um restaurante recente, discreto e fora dos principais eixos gastronómicos nacionais.
Optámos pelo menu de degustação, composto por seis pratos, dois dos quais sobremesas, e decidimos acompanhar a refeição com o vinho L’AND Reserva 2011 Tinto, um vinho tipicamente Alentejano, feito com Tou­riga Naci­o­nal, Tou­riga Franca e Ali­cante Bouschet.
A refeição iniciou-se com uma sopa de peixe da costa vicentina, lagostim assado e croquete cremoso de ostra envolto com tinta de choco.
A sopa apresentou-se muito saborosa, o lagostim macio e delicioso e o croquete com conjugação de texturas várias. Ora crocante na parte exterior, ora cremoso na interior.
Bom inicio.
Avançámos para um tataki de atum em mil folhas, compota de cebola roxa e chutney de manga com salada de rábano, coentros e bergamota. A acompanhar vinha também um croquete de atum com exterior de tinta de choco e erva príncipe, gotículas de wasabi e soja caseira. 
 
Este prato com uma bonita e harmoniosa composição, transporta-nos para influências asiáticas. Apesar de ter gostado da conjugação dos sabores, pareceu-me que o atum do tataki esteve demasiado discreto no sabor e o mil folhas um pouco seco.
Rapidamente seguimos para o salmonete de Setúbal na salamandra, açorda de caldeirada com lulas salteadas e salada crocante.
O salmonete apresentou-se com uma textura irrepreensivelmente macia e a açorda, soberba, estava de fazer levitar.
Prosseguimos para a carne, com um lombinho de porco de raça alentejana assado lentamente, gratin de couve-flor texturizado com salteado de espargos, ervilha e morcela regional.
O lombinho exibiu uma textura excepcionalmente macia e uma qualidade elevada. A conjugação com os restantes ingredientes esteve perfeita.
De entrada na secção das sobremesas, iniciamos com um tiramisu de pistacho com chocolate branco e cerejas confitadas, gelado de café e crocante de chocolate tainori. A conjugação de texturas e sabores tão distintos fez-se de uma forma harmoniosa. Destaque para o curioso sabor das ervas comestíveis que encimaram a sobremesa.
 
Por fim, terminamos com um duo de cenoura, terra de pistacho com espuma de açafrão e gengibre, gelado de mel. Composição de bonito efeito, acompanhada de igual prestação no sabor.
Assinalo a curiosidade de, apesar de o restaurante se localizar no interior do Alentejo, o presente menu de degustação apostar sobretudo em ingredientes do litoral. Não constitui uma crítica, antes uma constatação.
Como súmula pareceu-me que a cozinha desenvolvida apresenta uma matriz clássica com influências portuguesas, nomeadamente com uma aposta e valorização dos produtos regionais. Não se trata de uma cozinha espectáculo, criativa e divertida, mas antes uma linha que aposta numa boa confecção, bons produtos e conjugações harmoniosas.
Quem consegue estar sempre em festa? A simplicidade, harmonia e consistência são essenciais na vida. Pelo que, esta cozinha desenvolvida pelo Laffan, é absolutamente válida.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Tasca Kome by Yuko

Já conhecia o trabalho da Yuko, a mentora e alma do Tasca Kome, a nova tasca japonesa de Lisboa.
De uma forma brincalhona e pretensiosa posso dizer que sou sua discípula. De uma forma mais comedida e real digo apenas que foi com a Yuko que aprendi, o pouco que sei, sobre a elaboração de sushi e outras iguarias japonesas.
No final de 2011, através dos workshops que habitualmente desenvolvia (não sei se vai continuar), fiz a minha iniciação à confecção de sushi, que relatei aquiaqui.
Recentemente fui conhecer o seu novo restaurante, cuja decoração ficou a cargo do seu marido, Yuichi Fukuda, um dos vencedores do  concurso das Sardinhas das Festas de Lisboa do ano passado. Trata-se de uma composição artística que conjuga a sardinha com a carpa Koi. Está exposta numa das paredes do restaurante, assim como os vários cartazes e postais das Festas do Japão em Lisboa, deduzo que também da sua autoria.
 
De bebidas pedimos chá verde e saké. Ambos excelentes.
Sobre a comida, iniciámos com uma saborosa sopa miso.
Avançámos para o takoyaki, bolinhas de polvo fritas, que estava muito bom e foi eleito o prato vencedor da noite.
 
Continuámos com um ceviche de carapau,
 
com um intenso e original uramaki de beringela, cenoura e quiabo,
com um hosomaki de salmão e abacate,
 
e com um macio carpaccio de lírio.
Por fim, antes de passarmos para a sobremesa, comemos umas, muito saborosas, asinhas de frango com molho especial.
De sobremesa deliciámo-nos com uma fatia de bolo de chá verde e outra de cheesecake.
Final perfeito.

Última Station, Cais do Sodré

O filme Lunchbox, referido no último post, termina com a seguinte frase "às vezes o comboio errado pode conduzir-nos à estação certa".
A estação certa foi o Station, uma das novas coqueluches do Cais do Sodré.
É um restaurante, esplanada, bar e club. Experimentámos o restaurante e a esplanada, já que foi aí que fizemos a nossa refeição apesar do dia meteorologicamente bipolar nesta estranha Primavera lisboeta.
A vista é inspiradora, já que a esplanada está mesmo à beira rio, vislubrando-se os barcos e ao fundo a "outra banda".
O espaço interior, pelo menos o piso da entrada, uma vez que não conhecemos de cima, também é bastante agradável.
A comida é de inspiração asiática e apresenta pratos de fusão com origem na Tailândia, Vietname e Japão.
couvert composto por um ceviche de salmão foi o arranque da refeição. Começou bem.
Prosseguimos com umas gyozas de legumes acompanhadas de vinagreta de soja e gengibre, irrepreensíveis na textura e sabor.
De seguida virámos a nossa atenção para o tártaro de salmão com gengibre, soja e cebolinho e chips de wan tan. Impecável.
Sem mais demoras, saboreámos um, bem confeccionado, lombo de pampo envolto em folha de bananeira aromatizado com lemon grass e lima kaffir acompanhado de chutney de coentros e molho thai e arroz jasmin.
Para acompanhar a refeição pedimos ice tea's de manga e baunilha e toranja. Frescos e muito bons.
Encerrámos o repasto com uma sobremesa de abacaxi grelhado com gelado de sésamo preto (soberdo) e lâmina de coco.
De brinde tivemos direito também a dois pedaços de bolo de chocolate fondant, que se apresentou com uma textura cremosa e muito saboroso. Generosidade da casa, que apresentou um serviço eficaz e muito simpático.
Volta-se sempre às estações certas. Até à próxima.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Lunchbox

Bombaim. Cidade grande. Enorme.
Uma mulher, a sentir o seu casamento a escapar-lhe, decide recorrer aos conhecimentos gastronómicos da tia, com o objectivo de reconquistar o marido através da comida.
Sucede que o Mumbai Dabbawallahs, um popular serviço de entrega de comida na cidade indiana, erra a entrega e os pitéus vão conquistar o paladar e coração de outro homem.
É a sinopse de Lunchbox, de Ritesh Batra, filme de encontros e desencontros a partir da comida.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Sabor a Desilusão - Wangfujing

Tinha tudo para correr bem. Para ser um bom programa.
Adoro o ambiente dos mercados.
Deliro com comida de rua.
Vibro com novas experiências gastronómicas.
Tinha coisas diferentes e estranhas aos nossos paladares como estrelas do mar, besouros, aranhas, gafanhotos, escorpiões e cobras.
 
 
 
 
 
 
 
 
Havia coisas também mais normais para os nossos padrões. E que gosto. Como peixe, carne e tofu.
Embora algumas com uma apresentação assustadora e que nos fizeram pensar como conseguiriamos comer sem talheres e prato.
Outras que adoro, mas que não arrisco a comer nestes ambientes. Refiro-me a marisco. Mexilhões, búzios, ostras, vieiras, sapateiras.
 
 
 
 
 
Havia também doces. Alguns mais comuns, outros originais na forma.
 
 
 
E ainda outros que gosto muito.
 
Pois é, tinha tudo para dar certo, mas não deu...
Demos duas voltas ao mercado nocturno de Wangfujing e tivemos sérias dificuldades em escolhermos algo para comer.
Ao contrário da maioria das vezes que vou para estes ambientes, onde cada vez fico com mais apetite, ansiosa e com vontade de comer, aqui foi o contrário. Ia com apetite e gradualmente fui perdendo.
Razões?
O cheiro. Pestilento e muito desagradável foi a maior razão para a perda de apetite.
Não cheguei a perceber a origem do mesmo. Mas posteriormente uma colega perguntou-me "foste ao mercado mal cheiroso?" e percebi que o problema não tinha sido daquele dia e nosso.
A outra razão que me aborreceu e fez com que não comessemos, por exemplo, os bolinhos de ovo da foto acima, foi a esperteza de pedirem o dobro do valor real, para depois aos poucos irem aproximando até ao preço justo.
Assim, ficámo-nos pelos dim sum, que não estavam nada de especial. 
Por uns bolinhos de frango com cebolinho, que estavam bons, e por um gelado frito, também saboroso.

Há momentos assim. Que têm um sabor a desilusão.


Um Toque Manchu

Os manchus são um grupo étnico originários da Manchúria. Foram a última dinastia, designada Qing, a imperar na China, após terem conquistado, no século XVII, o poder à dinastia Ming. A dinastia Qing governou até 1911, data em que surgiu a República da China.
Um pouco mais de um século depois entrámos num ambiente que nos faz recuar, através do paladar, a esses tempos.
Essa experiência gastronómica é possível no restaurante Nàjia Xiaoguan, de inspiração manchu, que apresenta um menu baseado nas antigas receitas imperiais.
Instalado num belo pátio interior de dois níveis, numa atmosfera informal e movimentada, iniciámos a refeição com um aspic de peixe, apresentado com o formato do mesmo, acompanhado de um molho à base de alho. Um dos maiores desafios foi comer este prato gelatinoso com pauzinhos...mas como estava bem interessante não desistimos.
 
Avançámos para um sensaborão pato cozido com amendoins.
E depois para uns muito mais entusiasmantes cogumelos recheados com carne. De acompanhamento de tudo tivemos um arroz cozido ao vapor.
 Por uns tempos sentimos a atmosfera manchu.