domingo, 12 de janeiro de 2014

Sol e Pesca | Cais do Sodré

No epicentro da diversão nocturna do Cais do Sodré, a Rua Nova do Carvalho, também conhecida como rua cor de rosa pelo pavimento pedonal ter sido pintado desta cor, existem diversos bares e restaurantes.
Um desses bares/restaurantes, que teve honras de ser incluído no roteiro do Anthony Bourdain, pelas mãos dos Dead Combo, aquando a gravação do seu No Reservation em Lisboa, é o Sol e Pesca.
Estivemos lá recentemente ao almoço longe da azáfama nocturna.
Num espaço que perpétua as memórias locais ligadas à pesca, vislumbram-se, como decoração, canas, iscos, redes, anzóis, bóias e outros artefactos ligados à pesca, assim como prateleiras carregadas de conservas. As conservas são as maiores protagonistas da casa, uma vez que a oferta de petiscos baseia-se nelas.
Neste local, ideal para petiscar a qualquer hora do dia, temos ao nosso dispor uma panóplia de conservas de diversos produtos e marcas. Servem para preparar os petiscos mas também para adquirir e levar para casa. Escolhemos as duas modalidades.
Para casa trouxemos filetes de atum com batata doce da marca Santa Catarina (S. Jorge, Açores), sangacho de atum também produção de Santa Catarina e filetes de truta em vinho branco da Comur (Murtosa).
No local comemos sardinhas temperadas com tomate, pimento verde e cebolinho sobre brôa,
umas originais e maravilhosas anchovas com maçã regadas com laranja e perfumadas com tomilho fresco
 
e muxama, conhecido também como "presunto de atum", já que se trata de finas fatias de lombo de atum curado, acompanhada de pão.

Está-se bem no Sol e Pesca.

Tailândia em Lisboa | Rock n' Thai

Tendo presente a minha última viagem, ao Laos e a Bangkok, quando me deparei com uma promoção online para um restaurante tailandês não hesitei. A proposta era para o restaurante Rock n' Thai, em Alcântara. Este restaurante encontra-se no mesmo espaço que o anterior, também tailandês, Banthai. Provavelmente a gestão do restaurante é a mesma porque a loiça de servir continua a ter o timbre do Banthai. Caso contrário estamos perante um verdadeiro aproveitamento de recursos. Fica a dúvida.
A compra efectuada incluia entrada, prato principal e sobremesa.
De entrada optámos por uma muito saborosa sopa tradicional, Tom Yam Kung, de camarões cozinhados com erva príncipe, galanga, sumo de limão, folhas de lima kaffir, malaguetas e leite de côco, e por Satay Gai, umas espetadas de frango grelhado com molho de amendoim.
A escolha dos pratos principais recaiu no clássico Pad Thai, que é uma massa frita com camarões, ovo, amendoins picados, rebentos de feijão e molho de tomate ao estilo tailandês e por Gai Pad Med Mamuang, ou seja, galinha com castanhas de caju, compota de malaguetas, cebola e pimentos.
A sobremesa foi gelado de amendoim servido com fruta e arroz negro.
 
Pareceu-nos que, embora o restaurante apresente na forma propostas genuinamente tailandesas, nada, com excepção da sopa, estava extraordinariamente bem confeccionado e saboroso. 
A qualidade da culinária tailandesa não está devidamente representada. Não deixa saudades esta incursão.



Nannarella | Sempre

Seja Verão, Primavera, Outono ou Inverno há sempre espaço para um delicioso gelado. Mais ainda se tiver a qualidade que a gelataria Nannarella nos habituou.
Ontem apetecia-me sabores da estação. Como bem nos lembrou Miguel Esteves Cardoso, num artigo há uns tempos, a qualidade de uma gelataria vê-se pela oferta que apresenta. Esta não deve ser fixa mas antes acompanhar os produtos disponíveis na época.
Pois bem, tive oportunidade de saborear castanha e, na ausência de dióspiro, optei por banana. Sabores e textura cremosa impecáveis.
Voltarei, ainda dentro da estação, para experimentar o gelado de dióspiro e outras criações que entretanto surjam.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Sabores da Madeira

Na Baixa Pombalina, mais especificamente na Rua do Ouro, existe um cantinho de insularidade madeirense. Abriu, há poucos meses, o restaurante Sabores da Madeira, que oferece alguns petiscos das ilhas. A ementa não apresenta uma oferta muito extensa mas é suficientemente demonstrativa da qualidade da culinária madeirense.
Indiscutivelmente que solicitámos lapas grelhadas, uma especialidade madeirense que nem sempre se encontra com facilidade na região continental . O molusco veio acompanhado de bolo do caco, pão de trigo típico, com manteiga de alho. Comemos ainda milho frito, bolo do caco com bife de atum e bolo do caco com carne de vinha de alhos. A acompanhar bebemos nikita, uma bebida local feita com cerveja, vinho, sumo de ananás e gelado de baunilha.
A oferta da ementa estende-se a outros bolo de caco, nomeadamente o com picanha e peixe espada, e mais meia dúzia de ofertas. Nas sobremesas, para além dos gelados artesanais é possível saborear o tipicamente madeirense bolo de mel.
O espaço é simples, depurado e moderno com decoraões alusivas a alguns elementos tradicionais do arquipélago. Há montras onde estão expostas bebidas típicas, como a cerveja Coral, os refrigerantes Brisa, vinho da Madeira. Estão presentes cartazes com alguns pontos turísticos das ilhas e há televisões a transmitirem imagens desses pontos, assim como de paisagens e os principais eventos do arquipelágo, nomeadamente o Carnaval e a passagem de ano. Diria que o turismo regional não faria melhor promoção.
O sucesso do espaço tem sido uma surpresa até para os próprios responsáveis. Na verdade, num eixo territorial cuja dinâmica se verifica sobretudo no período diurno, não deixa de ser surpreendente que numa noite fria de inverno (ainda que coincidisse com uma das noites em que decorria o espectáculo multimédia natalício do Terreiro do Paço) o restaurante estivesse cheio e com pessoas a aguardar vez.
Parece que a fórmula do bom e barato tem sido fundamental no sucesso final.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Mercado de Campo de Ourique

Inspirado no conceito do Mercado de San Miguel, em Madrid, (sobre o qual já falámos aqui) foi inaugurado há umas semanas o renovado Mercado de Campo de Ourique, que agora apresenta novas valências.
Não conhecia o anterior espaço mas actualmente ao lado das habituais bancas de peixe, carne, legumes, padaria, convivem pequenas tasquinhas.
 
O formato clássico de mercado face aos paradigmas da sociedade actual encontra-se obsoleto. Pelo que importa criar outras dinâmicas, novos horários que permitam dar nova vida aos mercados.
Assim, mais do que transformar o mercado meramente num espaço gastronómico - como de resto aconteceu com o modelo inspirador, o Mercado de San Miguel -, a ideia é antes aliar as diversas valências. Pelo que, em vez de situações concorrenciais importa criar antes acções complementares. Os estabelecimentos de restauração utilizarem produtos adquiridos no mercado é um exemplo disso, o que permite criar dinâmicas positivas para todos os envolvidos. Neste aspecto, o conceito aproxima-se mais do mercado também madrileno de San Anton e do restaurante aí sedeado.
Passando ao capítulo gastronómico, a oferta é diversificada. Desde carne (asinhas de frango, hambúrgueres, pica pau, picanha, ...), petiscos variados, charcutaria (queijos e enchidos), marisco, cozinha criativa, comida japonesa, pizzas, pastelaria gelados e bebidas (vinhos, gins e champanhe).
No dia que lá estivemos concentrámo-nos em dois estabelecimentos.
No Chef do Mercado onde comemos duas tapas, uma de presunto de pato com queijo azul e cebola caramelizada e outra de farinheira.
E na Marisqueira onde comemos um prego e umas amêijoas.
Para acompanhar bebemos vinho adquirido na Garrafeira.
 
E acabamos com um gelado.
A avaliar pelo dia em que lá estivemos e por relatos de outras pessoas parece-me que a adesão está a ser positiva. Considero que algo deste género, ainda mais no bairro onde está situado, tem todas as condições para ter sucesso a longo prazo e sobreviver aos efeitos efêmeros das moda. Parece-me, porém, que a aposta de várias tasquinhas em refeições de elaboração mais demorada pode ter um efeito perverso no negócio. Pois, quem procura um espaço destes sabe que vai cruzar-se com muitas pessoas mas não sei se estará disponível para estar largos minutos numa fila. Eu pelo menos não estou, tendo inclusive abdicado de uma tasquinha pela avolumada fila que apresentava.


Tomo by Tomo-san

A primeira surpresa deu-se quando entrámos no restaurante e deparámo-nos com o espaço cheio. Era sábado, é certo, à hora de almoço, o restaurante não é muito grande, também é verdade, mas não sei por que razão achava que iríamos encontrar o restaurante semi-vazio.
Informaram-nos que só havia lugares ao balcão. Essa viria a dar origem à segunda surpresa. Mas já lá vamos. Porque antes, a primeira foi acentuada ao perceber a diversidade da clientela. Casais novos, casais na casa dos 60, famílias com mais de 3 gerações, parelhas de amigos, pessoas sozinhas. Estava lá um pouco de tudo. Dando a sensação que o Tomo é um restaurante de bairro, daqueles que vamos repetidas vezes aos fins de semana ou quando não nos apetece cozinhar. Será? Certo é que é um sucesso.
Bem, após o nosso estabelecimento junto ao balcão iniciou-se a segunda surpresa. A forma elegante e magistral como o chef, e também proprietário, Tomoaki Kanazawa elabora os pratos. Estivemos de camarote a assistir ao espetáculo.
Enquanto isso vieram os miminhos de abertura, compostos por uns cubos de atum (divinal), salada de polvo e lula com pimento e salada de alface, tomate e pepino com molho de soja. E foi-nos servida ainda uma sopa miso.










Entretanto vieram as nossas escolhas gastronómicas. Optámos por uma vieiras flamejantes que vimos a passar na sala (não estavam apresentadas na ementa). Seduziram-nos pelo aspeto exótico e soberbo. Quanto ao sabor apresentaram-se sem grandes artifícios, quase ao natural, não fosse um pequeno caldo, suave, com cogumelos laminados, alho francês e feijão verde. A textura das vieiras, muito sensível e difícil, estava irrepreensível.

Optámos ainda pelo menu Bentobox, que nos foi servido directamente pelas mãos do chef e  acompanhado por um sorriso franco. O menu é composto por frango e porco panado, salmão grelhado, camarão cozido, omelete japonesa, arroz e sashimi de salmão, atum e um peixe branco, que não reconheci.

Por fim, terminámos a refeição com uma das obras-primas (mais uma surpresa) de Kayo Iwasaki, mestre pasteleira e mulher do chef. Ao que parece a sua imaginação sem limites permite-lhe mudar de ementa com muita frequência. A nossa sorte ditou-nos uma composição com gelado de canela (soberbo), massa de arroz com morango, bolo de laranja e mousse de chocolate cremosa com macaron.

Já tinha ido em tempos ao antigo Tomo, situado num espaço mínimo em Pedrouços. Há época, fiquei com uma excelente impressão dos preparados do antigo chef da embaixada do Japão. Neste espaço actual reforcei o meu agrado. Mas vou querer reforçar ainda mais. Pelo que em breve, com as 48h de antecedência exigidas, irei reservar o menu kaiseki e deixar-me surpreender um pouco mais.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Almoço de Natal 2013

A minha contribuição para o almoço de Natal do emprego.
Folhadinhos de atum. Na fotografia acabados de tirar do forno.

Espero que estejam num bom nível.
Porque vão fazer companhia à sempre em forma cachupa da Tia Bê e outros petiscos certamente interessantes.