segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Quinta do Portal | Douro

Em final de época das vindimas lembrar o extraordinário armazém de envelhecimento de vinho da Quinta do Portal, em Sabrosa.
Desenhado pelo arquitecto Siza Vieira, o edifício, muito bem integrado na paisagem do Douro, alia tradição e inovação. Isso é vísivel na arquitectura e na escolha de materiais da região, como o xisto, a pedra utilizada nos muros de suporte dos socalcos e a cortiça.
A Quinta, que se dedica à produção do vinho do Porto, do Douro, moscatel e espumantes, por todas as razões, vale uma visita.

















 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Vinhos do Alentejo 2013

Aragonez, Trincadeira, Alfrocheiro, Syrah, Alicantes Bouchet, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional.
Barrica de carvalho, barrica de carvalho francês, cuba de inox.
Tinto, branco, rosé.
Palavras referentes a castas, estágios e vinhos muito ouvidas este fim-de-semana no Centro Cultural de Belém, onde decorreu mais uma edição do evento Vinhos do Alentejo.
Estivemos por lá e tivemos oportunidade de experimentar uns quantos vinhos. Debruçámo-nos nos tintos e, não sendo especialistas, fizemos escolhas aleatórias e deixámo-nos levar pelas explicações de quem sabe.
Experimentámos assim o vinho de entrada da Herdade do Pombal; o Furtiva Lágrima 2007 do Monte da Raposinha; o vinho de entrada Montaria de 2011, o Montaria Reserva 2010 e o Grande Escolha Montaria de 2008 (gostámos sobretudo do reserva); o .blog de 2010 do Tiago Mateus Cabaço (premiado com a medalha de prata), assim como o .com do mesmo enólogo; o Monte dos Cabaços 2007 e o Monte dos Cabaços Reserva 2005 (excelente).
Num esforço para não passarmos ao estado ébrio, sim, porque contrariamente aos especialistas, tudo o que entrou no copo escorreu pela garganta…e a prova passou-se antes do jantar, fizemos uma pausa nas provas de vinhos e parámos, primeiro, nas provas de azeite e depois num espaço, da responsabilidade do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), dedicado a experiências moleculares com o vinho.

Aí os termos passaram a ser gelificação, esferificação, dióxido carbono, azoto, sódio, cálcio, entre outros.
Começámos por experimentar as "uvas" de vinho, conseguidas - se a memória não me atraiçoa - através de alginato de sódio em presença de cálcio, e servidas com queijo ralado.
 









De seguida passámos para o "sorbet" de vinho, feito a partir de uma reacção com azoto.

Prosseguimos para o vinho com "fumos", através de uma reação a partir de dióxido de carbono. Para voltármos de novo ao "sorbet" de vinho, que agradou muito.
Todas as experiências foram muito interessantes.

Por fim, terminámos o périplo pelo evento com a prova do Varal e o Reserva Quatro Caminhos 2011 da Casa Agrícola da Herdade do Monte da Ribeira, este último um dos premiados da noite com a medalha de ouro no Concurso Melhores Vinhos do Alentejo da Confraria dos Enófilos do Alentejo.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Pizza Pazza - Pedralva

Agora que o Verão parece cada vez mais distante fica a recordação de um clássico do meu período estival por terras meridionais.
Pizza Pazza, a pizzaria situada na encantadora aldeia de Pedralva, objecto de um processo acelerado de gentificação nos últimos anos.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Julgo que estive pela primeira vez na pizzaria e em Pedralva há uns 10 anos, no ano em que abriu portas pela primeira vez. De lá para cá praticamente não falhei um Verão por lá. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
À época já havia o terraço, ex-libris do espaço, mas com uma configuração diferente. Predominavam as mesas compridas. Mas não havia ainda a sala de cima, que permitiu abrigar a cada vez maior procura.
Nessa altura a aldeia não estava recuperada nem era tão procurada como actualmente. Mas o encanto estava todo lá. A paz da envolvente e as cores do final do dia sempre remeteram para momentos paradísiacos e mágicos. Ainda mais acentuados pelas pizzas...as pizzas, que sempre foram maravilhosamente saborosas.
Numa noite de Setembro, quando já ninguém dispensava o casaco, fomos surpreendentemente brindados novamente com as noites quentes e aproveitámos a esplanada como nas melhores noites do pico do Verão. Não conseguimos a melhor mesa, aquela que motiva esperas de mais de uma hora, mas conseguimos uma mesa na esplanada, que não é conquista fácil sem marcação.
A comida foi, claro, pizza. De atum e de salame. De sobremesa uma torta de amêndoa, ao nível da qualidade das pizzas. Excelente.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esteve tudo perfeito. A lua que esteve presente pode confirmar.
Até breve.

domingo, 13 de outubro de 2013

Novo Bonsai | Sob o Signo do Cinco

Há mais de 15 anos experimentei pela primeira vez a gastronomia japonesa. A escolha do restaurante para inaugurar esta experiência foi óbvia. Na época havia muito poucos restaurantes japoneses em Lisboa, mas um destacava-se e ainda por cima o dono era uma figura que nos era familiar. Falamos do Novo Bonsai e do mister Shintaro Yokochi, pai do melhor nadador português de sempre, Alexandre Yokochi, e, à época, também treinador de natação, pelo que era uma figura com quem nos cruzávamos com frequência pelos cais de piscina.
Não me recordo a razão - o restaurante estava cheio ou fechado - acabámos por fazer a nossa estreia na cozinha japonês noutro restaurante, uma casa de massas japonesas na rua Monte Olivete, Príncipe Real, não muito longe da primeira escolha.
Vem esta história para dizer que só recentemente entrei pela primeira vez no Novo Bonsai, na Rua da Rosa, agora com outra gerência.
Fomos lá por ocasião de uma celebração especial e tivemos oportunidade de degustar uma tradicional gastronomia japonesa, diferente da cozinha de fusão apresentada na maioria dos restaurantes japoneses em Lisboa. Sentimos ainda mais o ambiente japonês porque ficámos num separé, com mesas baixas sobre tatami.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A oferta da carta vai para além do clássico sushi e sashimi, ao apresentar várias propostas ao estilo izakaya, que significa tasca em japonês.
A nossa escolha iniciou-se com uma saborosa sopa de miso.
Pedimos ainda um tártaro de carapau, prato típico junto dos pescadores japoneses, e que apresenta uma combinação perfeita entre a frescura do picadinho do carapau e o sabor mais intenso do cebolinho.
Umas deliciosas bolinhas de polvo, acompanhadas com uma maionese e no ponto certo da fritura.
Uns surpreendentes croquetes de soja verde.
Um agradável tofu braseado
e um clássico sushi salmão Califórnia.
De sobremesa comemos um tiramisu de chá verde e batata doce no forno com gelado de baunilha.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Perfeitas. Tal como toda a noite.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Yum Cha Garden

Foi em meados dos anos 80 do século passado que pela primeira vez fui a um restaurante chinês. O restaurante tinha aberto há puco tempo no Centro Comercial do meu bairro, a Portela, e os meus pais rapidamente se tornaram clientes habituais e conhecidos do dono, pelo que durante anos frequentemente íamos jantar aquele espaço, que julgo ainda existir.
Foi também nessa época, ou talvez um pouco mais tarde, que começaram a surgir de uma forma massificada os restaurantes chineses por Lisboa. Apesar da sensação que se tinha de serem todos mais ou menos iguais, o gosto pelos restaurantes chineses passou a ser generalizado, até porque se vivia numa época em que Lisboa era pouco cosmopolita e a presença dos restaurantes chineses dava um toque de novo, exótico e de abertura ao mundo.
Á época, de todos os restaurantes que existiam, destacava-se o Dragão de Ouro - cujo dono é pai de um ex-colega meu de natação, que apresentava uma cozinha verdadeiramente chinesa. Este restaurante apesar de ainda existir não apresenta o protagonismo do passado.
Depois, já mais recentemente, deu-se o declínio dos restaurantes chineses muito por conta das suspeitas de falta de higiene nas cozinhas dos mesmos.
Actualmente é pouco frequente ouvir alguém dizer que vai jantar comida chinesa, quer pela imagem negativa que persiste como por a oferta ter diminuído substancialmente (muitos foram reconvertidos em “japoneses”). Mas como tudo, nem todos são maus. Quando se destacam restaurantes, na zona de Lisboa, com comida chinesa original invariavelmente se fala, primeiro, no restaurante do Casino do Estoril, o Mandarim, no Grande Palácio Hong Kong e no restaurante Yum Cha Garden, em Oeiras.
Já conhecia os dois primeiros e recentemente, aproveitando a estada da minha mãe a banhos na linha do Estoril fui experimentar o último, que tal como o Grande Palácio Hong Kong apresenta essencialmente comida cantonesa.
 
Numa zona residencial como tantas outras, o Yum Cha Garden, passa completamente despercebido.
No entanto, uma ida até lá é verdadeiramente compensadora a nível gastronómico. Com uma carta bastante extensa, apresenta uma grande diversidade de dim sum, alguns deles diferentes do que estamos habituados.
Experimentámos medusa, algo inusitado mas com um sabor bem agradável;
uns agradáveis crepes de manga e camarão;
 
uns raviolis de tubarão, que nos souberam lindamente, pois para além de óptimos é sempre preferível sermos nós a comermos o tubarão do que o contrário;
um interessante e surpreendente inhame frito, que mais parecia uma explosão de textura e sabor;
 
uns gulosos pãezinhos de porco e
uma competente galinha com caju.
 O Yum Cha Garden revelou-se uma óptima aposta. A voltar, certamente.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Babete Gastrobar

Há tempos que estávamos para ir ao Babete Gastrobar, na Calçada do Duque. Recentemente, fomos até lá, numa noite de Verão ventosa e demasiado desagradável para usufruirmos da esplanada.
 
Optámos assim pelo interior cheio de cores e espelhos a darem amplitude ao espaço. As paredes pintadas remetem para os quadros naïfs que estão à venda na zona do Pelourinho, em Salvador da Bahia. As cadeiras, cada uma da sua forma e cor, dão ainda mais alegria ao espaço.

A comida é simples, ao estilo das que se vende nos botecos brasileiros.
Resumindo, como os responsáveis do estabelecimento se gostam de catalogar, estamos perante um estilo brega/hype/chique.
Gastronomicamente falando, a nossa atenção e escolha recaiu na secção dos petiscos. Decidimos pedir uma polenta frita com maionese de alho e manjericão,
 
um Dedo de Prosa, que é um conjunto de salgadinhos compostos por kibes, coxinhas de frango, rissóis e croquetes
 
e um Saudades da Bahia, pratinho com acarajés.
 
Na escolha havia claramente um denominador comum. Tudo era frito. Apesar de conscientes dessa situação, a fome, que era muita, e também as outras opções da carta (quase tudo frito e forte) não ajudaram a que houvesse um maior equilíbrio.
Na verdade, tudo nos soube bem mas no fim o nosso organismo começou a reagir a algo que há muitos anos não tinha uma presença tão avassaladora.
As dores de estômago passaram mais tarde com um limoncello, excelente digestivo para estes momentos.
Entretanto o estômago pede tempo até voltarmos a uma dose semelhante de fritos.