quinta-feira, 20 de junho de 2013

Mangiare per Genova

Em Génova fizemos refeições em três locais que merecem destaque.
No Le Cantine Squarciafico, junto ao Duomo San Lorenzo, num ambiente tranquilo e muito agradável tivemos um excelente jantar.

As nossas escolhas foram certeiras, ainda que as outras mesas apresentassem opções igualmente muito atractivas.
Optámos por um atum com pistachio simplesmente perfeito, quer na textura como no sabor,

e por um mandilli al pesto genovese, muito macio e igualmente saboroso. Este prato é tipicamente genovês, pois quer a pasta mandilli como o pesto são originários da capital da Ligúria.

Acompanhámos os pratos com um vinho tinto italiano suave.
Como sobremesa absorvemos um óptimo mil folhas de chocolate branco.

No Taggiou, um ristorante salumeria no centro histórico de Génova, próximo da Via Garibaldi, num ambiente típico e castiço, depois do dono e um amigo que falava castelhano nos terem detalhado a ementa toda, iniciámos a refeição com um tagliere di salumi e formaggio, que não é mais do que uma tábua de carnes frias e queijos.
 
O estabelecimento que apresenta produtos de qualidade de toda a Itália, inclui como acompanhamento do tagliere um vinho tinto toscano de Montepulciano.
 
 
 
 
 
Depois prosseguimos para um Trofie alla Portofino. A trofie é uma massa genovesa pequena, estreita, torcida e de pontas afiadas que habitualmente é feita com pesto. No entanto a receita de trofie alla Portofino é feita com tomate.

Por fim, no histórico Caffé Pasticceria Fratelli Kainguti, um dos preferidos nos anos de 1840 de Giuseppe Verdi, comemos a famosa torta Zena, feita com massa pão e recheada com creme zabaglione, feito à base de ovos, açúcar e vinho doce Marsala.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Gran Ristoro

É um sítio onde vão os locais e que nunca deixa de ter fila. Dois bons indicadores na aferição da qualidade de um estabelecimento de restauração.
O espaço é mínimo, apenas um corredor que ladeia o balcão e a vitrine composta por todo o tipo de charcutaria, queijos, molhos e outros ingredientes de fazer, literalmente, água na boca.
 

 
 
 
 
 
 
 
 

Trata-se do Gran Ristoro, na Via Sottoripa, umas arcadas não muito longe do porto.
O conceito é simples, a partir dos produtos expostos é transmitir aos simpáticos funcionários como devem rechear o pão aberto e por enquanto vazio.
A escolha é que não é nada fácil. Porque para além de não conhecermos a maior parte das iguarias, o que em si não é propriamente um problema, a oferta é muito extensa - à entrada anuncia-se 150 tipos de panini -, dá vontade de provar tudo e de preferência o que não se conhece. Tarefa difícil.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



Depois de alguma ansiedade na obtenção de uma escolha inovadora e saborosa, enquanto a água ia gradualmente crescendo na boca a escolha recaiu em três sanduiches. Uma mais clássica, com salame milano e queijo, outra de pancetta arrosto aromatizada, que estava uma delícia, e outra de arrosto de basílico, com tomate seco e cogumelos envinagrados, que atingiu a excelência.
 
Garantidamente estas sanduiches vão ficar marcadas na minha memória gastronómica.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Gelato di Genova

Não há apenas uma única versão sobre a origem do gelado. Umas apontam para que tenham sido os Chineses a inventarem, outras que foram os Árabes.
Certezas porém são as que indicam que foram os Árabes quem trouxeram o gelado para a Europa. Assim como parece certo que foram os italianos os responsáveis pelo desenvolvimento e aperfeiçoamento do produto, nomeadamente através da invenção, por Procopio dei Coltelli, em meados do século XVII, de uma máquina que permitiu uma melhoria significativa da qualidade do gelado e a difusão do mesmo por todo o mundo, frequentemente através de empreendedores italianos.
Por esta razão os gelados italianos são tão famosos e reconhecidos.
Esta introdução serve para explicar que na nossa estadia por Itália senti-me no paraíso, isto porque adoro gelados.
Sempre me acostumei desde miúda a comer gelados fosse Inverno ou Verão, em casa ou na rua, onde à época não havia muita oferta. Com alguma frequência era alvo de inveja por parte dos meus coleguinhas, cujos pais não permitiam essas “excentricidades”. Mas também não poucas vezes, mais tarde, fui questionada como era possível comer gelados em pleno Inverno. Questionada por pessoas que desconhecem que os países  do norte da Europa, com invernos rigorosos, nomeadamente a Finlândia e a Suécia, encontram-se no top dos maiores consumidores de gelados do mundo. E pessoas que contribuem que Portugal seja um dos países da Europa com menor consumo de gelados no Inverno.
Relembrando os momentos paradisíacos. Em Génova fomos a três gelatarias,  à Profumo di Rosa, no centro histórico, junto da Via Garibaldi, onde se concentram os palácios barrocos, e onde experimentámos as combinações melão e limão e chocolate negro e créme;








à Antica Gelateria Guarino, no bairro do Castelletto, com uma vista privilegiada sobre a cidade e o porto, onde saboreámos straciatella e melão











e à Antica Gelateria Amedeo, que fica em Boccadasse, um encantador antigo bairro de marinheiros e pescadores, onde experimentámos merengue e cheesecake.










Che meraviglia.

Che cos'è?

Numa viagem recente a Itália passámos umas horas em Milão e cruzámo-nos com isto.

 Mais isto.
 E ainda isto.
Não, não são as novidades da última colecção da Louboutin. Nem tão pouco da Louis Vuitton, Chanel, Prada ou de outra marca glamorosa.
São produtos da Cacao-lab, que produz chocolates artesanais com ingredientes de alta qualidade e com uma imagem criativa e inovadora.
Fantástico e surpreendente.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Pecados da Gula

Numa perspectiva de levar mais pessoas ao Castelo de S. Jorge, a EGEAC promoveu uma iniciativa que aliou o teatro à gastronomia.
Foi na sala Ogival do Castelo de S. Jorge que decorreu entre Março e Maio a peça Pecados da Gula, com interpretações de Marcantonio del Carlo, Marta Nunes e Cristovão Campos.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
Num registo de comédia, a peça versou sobre uma narrativa de histórias ligadas à comida.
Enquanto tentam criar uma ementa para apresentar aos clientes- o público, os intérpretes divagam desde o desaparecimento em Alcácer Quibir de um efeminado D. Sebastião por causa de uma alheira, como discorrem textos de Fernando Pessoa, Ricardo Reis, Bocage, Mia Couto.
Após a degustação de palavras, o fim de cada espectáculo foi seguido por uma pequena degustação elaborada por um verdadeiro chef de cozinha. Fomos no dia em que coube a José Avillez apresentar a degustação, que foi composta pelas suas famosas azeitonas explosivas,
 
empadinhas de legumes, empadinhas de perdiz,
 
mini cornetos de sapateira e abacate,
 
e vieiras com guacamole.
 
Tudo acompanhado por vinhos JA – José Avillez.
Destaca-se a qualidade quer do espectáculo como da degustação, que também foi generosa em quantidade.
Tudo a um preço simbólico de 6 euros. Praticamente uma oferta. Uma belissíma oferta.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Os Olhos Também Comem | Perú

Dois dias depois de termos ido ao dia da Tailândia fomos experimentar os sabores do Perú.
O almoço começou com um apelativo cocktail à base de pisco, morango e lima.

Prosseguiu com a trilogia de causa, ceviche e tiradito como entrada.

O prato de peixe foi escabeche de pescado, acompanhado de batata doce assada.
O prato de carne foi lomo saltado com batata.

A finalizar, como sobremesa, foi mazamorra morada com um biscoito recheado de milho.
O mais cativante dos pratos apresentados foi a trilogia de entrada, com todos os elementos muito gostosos, apesar de algumas adaptações aos produtos originais, como o milho que acompanhou o ceviche.
No dia do Perú fizemos o programa completo e fomos ao final da tarde beber um pisco sour antes de visionarmos o interessante filme De Ollas y Sueños, que explora o sentimento de união que a culinária desperta nos peruanos e a oportunidade de desenvolvimento que oferece.
O filme documental foca desde a gastronomia mais simples elaborada na Amazónia até à cozinha desenvolvida em restaurantes de topo, como o de Gastón Acurio, assim como a importância das diversas formas de expressão culinária na  transformação do Perú em potência gastronómica emergente, com consequências directas no desenvolvimento económico e social do país.

Os Olhos Também Comem | Tailândia

A partir da associação dos sabores ao cinema, a Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa organizou durante o mês de Maio a segunda edição do Festival Os Olhos Também Comem.
Foram seis dias onde foram apresentados seis filmes e seis gastronomias de origens tão diversas como México, França, Estados Unidos da América, Macau, Tailândia e Perú.
As sessões diárias de cada país dividiram-se em três momentos, almoço baseado na gastronomia do respectivo país, degustações ao final do dia de especialidades locais, seguidas do visionamento de um filme relacionado com culinária.
Um dos dias em que estivemos presentes foi o da Tailândia. O almoço, elaborado sobre a coordenação de uma das chefs da Embaixada Tailandesa, foi composto por o amuse bouche Tod Man Koong (bolinhos fritos de camarão com massa de arroz frita e abacaxi), 
 
a entrada Tom Yam Gai (caldo de galinha e cogumelos picante e vinagrado),
 
o prato principal Pad Thai Koong (noodles fritos com camarão)
 
e a sobremesa Bua Loy Nam Khing (bolinhos de sêsamo em xarope picante de gengibre).
 
Todos os pratos estavam muito bem confeccionados, saborosos e com paladares exóticos. Destaque neste capítulo para o caldo de galinha e para a sobremesa, ambos a despoletarem uma explosão de sabores bem diferentes do comum.