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quinta-feira, 7 de março de 2019

São Tomé - Locais Que Valem A Pena

Durante a nossa estadia fomos comendo em vários locais.
Entre os que valem a pena, para além do já anteriormente referido, destaque para a Casa Museu Almada Negreiros, na Roça da Saudade.
Num alpendre com vista magnífica e desafogada para o verde das copas das árvores, fizemos uma óptima refeição.


À entrada do espaço fica o aviso, nas palavras de Almada Negreiros, que ali nasceu, "A alegria é a coisa mais séria da vida".
Abordando coisas sérias, que é como quem diz alegres, vamos ao menu que por lá fizemos, composto por duas entradas, um prato principal e uma sobremesa. Tudo acompanhado por um sumo natural com as frutas locais.
O início fez-se por um prato composto de diversas propostas, como fruta pão, pepino e búzios, omelete com atum fumado e coentros, chuchu com micócó, uma erva local afrodisíaca.



O momento seguinte foi peixe Andala, da família do espadarte, com beringela, quiabo, cebola, matabala e azeitonas com baunilha.



De seguida, saboreámos, como prato principal, lussua, que se trata de um género de espinafres, banana pão, caril, feito de gengibre, açafrão e manga verde, de peixe (espadarte e atum), arroz de abóbora e erva mosquito.



Terminámos com um bolo de cacau, ou não estivéssemos na terra deste fruto.
O restaurante tem como filosofia apresentar a gastronomia e os ingredientes da terra. Fazem-no de uma forma simples, bonita e simpática. O local é privilegiado, a comida bem confeccionada e o serviço atencioso e cuidado.



Outro local que  deve fazer parte do roteiro gastronómico é o Mionga, em São João dos Angolares, junto ao rio que vai desaguar à praia de Santa Cruz.
O dono é um antigo empregado da Roça São João dos Angolares, um pouco mais acima.
Por ali tudo é simples e saboroso. 
Começámos com sopa de feijão e bolinhos de arroz. De seguida prosseguimos para peixe grelhado acompanhado por arroz, banana pão, chuchu e matabala.



Como sobremesa comemos calda doce de papaia.



No Celvas, em Guadalupe, apesar do preço despropositadamente elevado da refeição que por lá fizemos, destaque para os bolinhos picantes de peixe e para a mousse de sape-sape.




No restaurante do Praia Inhame Eco Lodge, onde passámos uns dias, fizemos várias refeições. Destaque para a salada de polvo e a omelete de micócó.





Destaque ainda para o primor do jantar do dia dos namorados, no qual houve um cuidado especial com o buffet apresentado. Leitão no espeto, peixe, polvo, vários acompanhamentos, frutas, bolos e muitas outras iguarias. Estava tudo óptimo, o que conjugado com a atmosfera local, potenciada pelas mesas no areal, a música ao vivo e a boa disposição geral, fizeram uma noite memorável.
Na ilha das Rolas vale a pena ter a experiência de almoçar na praia Café, numa refeição feita à base de peixe, preparada pelos locais.


Em São Tomé, a capital, é imperdível ir à Chocolataria Diogo Vaz abastecermo-nos de chocolates e comermos um dos doces ali fabricados. Recomendamos o brownie.


Também é uma excelente opção comer no Paraíso dos Grelhados, uma esplanada na marginal da Baía Ana Chaves. Fomos à noite e a luz é muito ténue, mas o possível desconforto de ver o que estamos a comer é compensado pelo conforto da comida, espectacular, a entrar na nossa boca. Os pratos são soberbamente servidos e os preços foram dos mais baixos que pagamos. 


Por fim, vale a pena ver a comida na arte no Museu Nacional e no Centro Cultural CACAU - Casa das Artes, Criação, Ambiente e Utopias.






quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Arte Apetecível | Botero e as Frutas Colombianas

Colômbia.
Um dos artistas mais consagrados deste país da América do Sul é Fernando Botero.
Conhecido pelas suas figuras de volumes exagerados, a sua obra expressa bem a influência do ambiente endógeno daquele país tropical.
Apesar de o artista ser oriundo de Medellín, é na capital Bogotá que se encontra o Museu Botero.
Foi aí que nos cruzámos com inúmeros quadros relacionados com comida, sobretudo com fruta.
São diversas as naturezas-mortas que Botero criou. Muitas delas apresentam uma vivacidade tropical contagiante.
 
 
 
 
As bananas de proporções exageradas não são apenas mera representação do artista. Existem mesmo. Vimo-las, e surpreendemo-nos com a sua dimensão, no mercado Paloquemao, em Bogotá.

 
Considerando que a visita ao museu foi no final da nossa viagem, este quadro acabou por ser a síntese dos sabores e texturas com que nos cruzámos.
Estão aqui muitas das frutas em que tropeçámos. As que conhecíamos e aquelas que nunca tínhamos tido o prazer de ver e experimentar, como zapote, lulo, mamones, pitaia amarela, feijoa, e muitas outras.
 


Botero em algumas das obras conjuga a natureza-morta com as cidades de matriz colonial. Uma delícia.


E o que dizer dos maravilhosos sumos naturais, que foram uma constante prazerosa nos nossos dias por estas coordenadas.

 
Ah, e os gelados!
Percebemos bem o prazer desta senhora.
Sem problemas, podemos comer sem culpa. Os traços redondos da figura, neste caso, são apenas estilo de expressão de Botero. Na realidade nada disto acontece.

 
Como resistir à tentação desta mesa?


 Ninguém resiste.


Mas neste país não há espaço para culpa nem pecado. Por isso, beber não é acção para esquecer, antes para celebrar a vida.
Venha uma Aguila para a senhora do quadro.


Celebremos a vitória do Atlético Nacional (das cores do vestido da senhora), de Medellín, campeão da Copa dos Libertadores.
Celebremos que a nossa viagem vai começar.
Descanso?


Só no fim da viagem.
Que le vayas bien!

quinta-feira, 26 de março de 2015

Comida é Arte?

O que é que a comida tem que ver com a arte?
Há quem considere que cozinhar é uma arte. Pois, não sei se é literal. Contudo, seguramente a cozinha de autor com cuidados sérios na conjugação de sabores, texturas e apresentação, é arte. Neste caso o lado criativo é desenvolvido e explorado ao máximo.
Porém, não vou dissertar sobre esta vertente. Pretendo antes abordar a temática da comida nas artes plásticas, nomeadamente na pintura.
Se reflectirmos, artista que é artista, tem no lote das suas criações uma natureza morta. Nestas composições, que dizem serem fundamentais para desenvolver os princípios básicos do desenho, como a forma, proporção, cor, textura, composição e sombra, estão sempre incluídos vários alimentos, normalmente frutas e vegetais.
Paul Cézanne, Natureza morta com cesta de maçãs
Vincent Van Gogh, Natureza morta com prato de cebolas (1889)
 
Numa recente exposição que fui assistir, na Fundação Arpad-Szenes - Vieira da Silva, percorri diversas das obras da colecção da galeria Sonnabend. Num registo de pop art deparei-me com uma sequência de quadros em que a comida era o tema.
Como entrada, logo no arranque do núcleo expositivo, deliciamo-nos com a mortadela, Sliced Bologna, de James Rosenquist. Esta obra parece aquelas cortinas ripadas na entrada dos talhos mais antigos.
De seguida confrontamo-nos com as latas da Campbell's, imortalizadas pelo um dos nomes maiores da pop art, Andy Warhol.
 
Depois, surge o hot dog de Roy Lichtenstein, artista que tem outras obras com comida como tema.
De seguida surgem diversas obras de Claes Oldenburg, autor de Two Cheeseburgers e de Green Salad, bem como de muitas outras obras com a temática gastronómica.
Fora do âmbito desta exposição, as referências a comida em obras artísticas são múltiplas. Autores como Vik Muniz recorrem a diversos tipos de ingredientes para fazerem as composições. A Mona Lisa deste artista brasileiro é feita de geleia de manteiga de amendoim.
O seu Che Guevara é de Feijão.
O Frankenstein de caviar. Outros ingredientes como esparguete à bolonhesa, chocolate, açúcar e muitos outros são a matéria-prima deste artista.
Respondendo à pergunta inicial, como é evidente, tudo!